Do satélite à câmera: como vídeo e GPS transformam dados em desempenho

Bruno Bedo abre a “caixa preta” dos sistemas que transformam a movimentação dos atletas em informação útil para treinos, prevenção de lesões e decisões de jogo

 15/08/2025 - Publicado há 8 meses

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Nesta edição de sua coluna, Bruno Bedo aborda os sistemas de rastreamento esportivo. “As tecnologias que transformam a movimentação de atletas em dados para treino que podem ser utilizadas, por exemplo, para prevenção de lesões e tomadas de decisão, têm aparecido cada vez mais no dia a dia do contexto esportivo, mas isso não é extremamente novo. Obviamente, com evoluções tecnológicas, a gente tem uma evolução também na qualidade dos dados e na velocidade em que eles são processados.” Bedo cita um artigo, liderado por pesquisadores brasileiros,  publicado no International Journal of Sports Medicine, o qual apresenta a evolução histórica e os fundamentos de três famílias principais que são utilizados: o vídeo e visão computacional, o GPS, e o LPS, que são sistemas de posicionamento local. O artigo discute ainda a qualidade dos dados, as limitações típicas de cada um e recomendações para a prática do uso, tanto em treino quanto em competição.
Na sequência de seu comentário, Bedo responde à seguinte questão: Como escolher a tecnologia ideal e garantir qualidade dos dados? “Em relação à escolha, ela depende de alguns fatores, dentre eles alguns contextos, na verdade. Se a comissão técnica precisa de um feedback imediato, GPS ou LPS tendem a ser preferíveis. Se o foco é tática e eventos técnicos, quem passa, para quando passa, aonde passa, o vídeo, eventualmente algumas tecnologias que tenham sensores na bola, é insubstituível. Em esportes de grande área, como, por exemplo, futebol e rúgbi, o vídeo exige múltiplas câmeras e uma boa resolução para calibração. Em quadras menores, como, por exemplo, handball, basquetebol ou futsal, menos câmeras podem bastar, mas a oclusão de zonas congestionadas, ou seja, quando nós temos muitos atletas no mesmo espaço, ainda é um grande desafio no rastreamento. Quanto à qualidade, alguns pontos críticos decidem a confiabilidade […] boas práticas incluem relatar a taxa de rastreamento automático, os erros, a confiabilidade entre unidades e validação com tecnologias padrão ouro, por exemplo. Sem isso, a interpretação de diferenças entre atletas e jogos fica um pouco mais frágil. Mas, na prática profissional, a tendência vencedora, ou seja, que é mais utilizada, é a combinação dos métodos; o vídeo para saber o porquê e onde, o GPS para utilização de carga externa, e o LPS utilizado para ambientes indoor, visto que o GPS não funciona em ambientes indoor.”

Ciência e Esporte
A coluna Ciência e Esporte, com o professor Bruno Bedo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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