Política de competitividade e inserção internacional

Por Hélio Nogueira da Cruz, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP

 28/11/2025 - Publicado há 5 meses
Hélio Nogueira da Cruz – Foto: FEA/USP

 

Vivemos um período de acomodação dos gigantescos blocos tectônicos, os enormes agrupamentos políticos e econômicos definidos após a Segunda Grande Guerra Mundial. Esses blocos se movimentam e produzem grandes choques. Algumas áreas evoluem mais rapidamente que outras, criando um painel variado e mutável em que novos agentes aparecem e outros decaem. Nestas sete décadas do pós-guerra, ocorreram transformações significativas, e o mundo polarizado entre os Estados Unidos e a União Soviética foi substituído por um sistema multipolar.

As diferentes taxas de crescimento de todas as áreas, ao longo de várias décadas, alteraram o painel da competição internacional. As inovações tecnológicas e a difusão das novas forças produtivas, que respondem por boa parte do crescimento e das estruturas produtivas, redesenham os perfis dos setores produtivos e suas capacidades de competição. As disputas e confrontações não cessaram: uma nova configuração das várias forças estão sendo construídas, e a competição torna-se cada vez mais multipolar.

A hegemonia econômica, política e militar dos Estados Unidos no início dos anos 1950 vem sendo contestada por novos polos, onde se destacam a emergência da China e de outros países asiáticos e a perda relativa dos países ocidentais. Muitos países aprenderam a dominar as novas tecnologias e competem, com sucesso, em praticamente em todas as atividades produtivas. Neste horizonte temporal, muitos países tornaram-se potencias intermediárias, com capacidade de participar inclusive da corrida militar. Os drones são exemplos de novos e poderosos equipamentos militares que alteram profundamente a natureza dos conflitos. O acesso à produção e difusão dessas novas tecnologias tornou-se mais barato e acessível internacionalmente.

No período pós-guerra, o Brasil mostrou-se bastante dinâmico, com a industrialização das décadas iniciais e, sobretudo nos últimos anos, o setor agrícola e de exploração mineral tiveram forte impulso. O Brasil, país historicamente endividado internacionalmente passou a gerar grandes superávits na balança comercial. Ao mesmo tempo tornou-se um agente significativo em muitos segmentos produtivos em escala internacional. A crescente inserção internacional do Brasil deve ser mantida como altíssima prioridade, considerando principalmente a razoável complexidade de nossa estrutura produtiva e seu tamanho absoluto. Em termos de população, recursos naturais e graus de competitividade, o Brasil tem alguns destaques no ambiente internacional. Entretanto, a fonte básica dos avanços tecnológicos mais disruptivos continuam sendo os países centrais, e não se pode perder as conexões com o fator mais significativo do aumento de produtividade.

No longo prazo, o País deve buscar crescente autonomia política e tecnológica, com ampliação da diversificação da estrutura produtiva e maior integração internacional. As novas tecnologias apontam para um cenário de crescentes economias de escala, maiores exigências de infraestrutura, e crescente demanda de capacidade cientifica, tecnológica e educacional. Os temas ambientais merecem alta prioridade, dadas as características de nossa matriz energética, a disponibilidade de recursos naturais e as tendências de esgotamento da capacidade da natureza de oferecer um planeta habitável.

No curto prazo, há que manter a trajetória de modernização e desenvolver parcerias com as várias parte do mundo. O País tem dimensão suficiente para se manter competitivo e relevante em vários setores e na sua relação com vários países. Os recursos naturais, como as terras raras, petróleo e as condições tropicais de boa parte do País, podem favorecer as exportações e a complementaridade com as forças competitivas internacionais.

Os gastos estratégicos de infraestruturas de transporte e portos, assim com os outros equipamentos de informática e de inteligências artificial, exigem volumes imensos de investimentos externos e domésticos, de fontes privadas e púbicas. Os desafios são grandes, mas dispomos de forças significativas e muitas alternativas para a construção de um país mais justo, próspero e democrático.

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