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Plataforma SampaAdapta monitora o calor urbano e promove políticas públicas para adaptação climática
Prefeitura de São Paulo conta com suporte científico de pesquisadores da USP para desenvolver projeto de monitoramento de dados climáticos e proteção de populações vulneráveis ao calor extremo
Escola municipal em Perus e o sensor climático do projeto SampaAdapta - Foto: Divulgação/IAG e Daniel Reis / Acervo SVMA
Diante do aumento das temperaturas e da desigualdade térmica entre regiões da cidade, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), conta com o suporte científico de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), ambas da USP, para desenvolver a plataforma SampaAdapta. A ferramenta integra ciência, gestão pública e participação social para fortalecer e aprimorar as políticas públicas que estão sendo executadas para o enfrentamento dos efeitos do calor extremo, proteger populações vulneráveis e orientar o planejamento urbano com base nas mudanças climáticas.
O projeto SampaAdapta foi criado em resposta à análise do cenário atual da região metropolitana de São Paulo, que apresenta diferença de temperatura de até 8ºC entre as diferentes regiões, o que agrava os riscos à saúde pública, especialmente entre idosos. A proposta é mapear e fundamentar a elaboração de políticas de saúde visando à rede de espaços de conforto térmico, áreas verdes e novas práticas de construção civil, além de fomentar estratégias de engajamento popular e troca de boas práticas com cidades do mundo todo.
A iniciativa também faz parte da Parceria por Cidades Saudáveis, uma rede global de mais de 70 cidades comprometidas em criar centros urbanos mais saudáveis, seguros e equitativos, prevenindo doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e lesões. O programa é apoiado pela Bloomberg Philanthropies, uma fundação que financia projetos globais de saúde e bem-estar, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies, organização que ajuda governos e cidades a implementar políticas públicas de saúde mais eficazes.
O IAG atua no desenho técnico-científico do monitoramento, financiado pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Segurança Hídrica em Zonas Críticas, um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sob supervisão do professor Humberto Ribeiro da Rocha, do IAG, e da professora Denise Duarte, da FAU.
Temperatura média de superfície na Região Metropolitana de São Paulo no intervalo 2015-2024 – Fonte: Temperatura da superfície diurna média em diferentes décadas na Região Metropolitana de São Paulo, Conferência Pan-Americana de Meteorologia (CPAM), São Paulo-SP, 2024
Monitoramento de medições climáticas
Com sensores instalados em residências, parques, escolas e unidades de saúde, o SampaAdapta busca medir, monitorar e analisar de forma integrada dados sobre calor e saúde. Os dados vão orientar ações de adaptação climática, como a criação de estratégias para melhorar o conforto térmico na cidade e, nesta perspectiva, formular diretrizes para requalificação de parques e praças.
Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG e coordenador científico da parceria com o SampaAdapta, explica que, com informações sobre onde as pessoas vivem e trabalham, é possível analisar a cidade em mais detalhes. Isso permite gerar soluções mais justas e eficazes para enfrentar o calor extremo.
“Os sensores instalados em uma variedade de locais nos ajudam a entender o efeito das transferências de calor manifestando-se em diferentes tipologias urbanas e regiões da cidade e como isso pode ajudar nas ações infraestruturais de melhoria da saúde e do bem-estar”, destaca o professor. “A universidade tem um papel central na adaptação climática, e está comprometida em oferecer informações de alto nível para colaborar na elaboração de políticas públicas.”
Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG - Foto: Arquivo pessoal
De acordo com Rocha, o projeto traz um conjunto inédito de informações para São Paulo, sobre padrões de temperatura indoor e outdoor, ou seja, cruzadas dentro de residências e no nível do pedestre do tecido urbano, de forma metódica e orientada. “Espera-se que as informações venham ajudar nas ações infraestruturais de melhoria da saúde, do bem-estar e da capacidade laboral das pessoas, com base científica para construir formas de adaptação climática viáveis de implementação em políticas públicas”, afirma.
Instalação de sensores
A etapa inicial do projeto tem início com a instalação de 25 termohigrômetros distribuídos pelas cinco regiões da cidade. Cinco territórios foram selecionados para compor a primeira fase da rede: Perus (Norte), M’Boi Mirim (Sul), Jardim Helena (Leste), Raposo Tavares (Oeste) e Brás (Centro). Em cada local, sensores internos e externos permitem comparar microclimas e analisar como o calor se manifesta em diferentes ambientes.
Os locais de instalação foram definidos com base em critérios científicos e sociais, com o intuito de construir uma visão mais ampliada a partir de pontos estratégicos da cidade. Os sensores foram instalados em locais de equipamentos públicos, edificações residenciais e de serviços, contando com a disponibilidade voluntária e anuência dos proprietários e/ou responsáveis por cada espaço que acolhe o projeto.
“Quando o projeto chegou até nós, entendemos na hora a importância de participar. Quem vive aqui sabe como o calor tem mudado a rotina. Se esses dados puderem ajudar a construir soluções para toda a cidade, estamos felizes em fazer parte desse cuidado”, explica Yago Santos, da Casa do Hip Hop de Perus, uma ocupação artística independente na região norte da capital, onde foi instalado um dos equipamentos.
Para definir os locais de instalação foram considerados o padrão espaço-temporal de temperatura da superfície, tipos de morfologia urbana, vulnerabilidade socioambiental, densidade populacional, presença de áreas verdes e equipamentos públicos, características construtivas dos bairros e disponibilidade e interesse de moradores e instituições.
Próximos passos
Até o final de 2026, a rede será ampliada e novos mapas térmicos serão definidos, buscando cumprir o compromisso da cidade com a Agenda 2030 e contribuir para o alcance das metas estabelecidas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: 3 – Saúde e Bem-Estar, 11 – Cidade e Comunidades Sustentáveis e 17 – Parcerias e Meios de Implementação. A cidade de São Paulo também vai participar de intercâmbios virtuais e presenciais com cidades que tiveram experiências realizadas sobre o tema e irá promover um ciclo de debates sobre o calor extremo e a implementação de medidas de conforto térmico na cidade.
Medições com termohigrômetros no bairro de Jardim Angela, em São Paulo (dez./2026) - Foto: Cedida pelo pesquisador
“Baseado nas metas do Plano de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres (PlanPavel) e do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP), o SampaAdapta consolida-se como um projeto que visa transformar diretrizes de planejamento em estratégias de adaptação”, explicam as coordenadoras do SampaAdapta, Lígia Pinheiro de Jesus e Bruna Dallaverde de Sousa, egressas da USP que integram a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de São Paulo.
Com a plataforma, o objetivo é que São Paulo forneça aos tomadores de decisão as evidências necessárias para proteger os moradores e construir bairros mais resilientes. O projeto planeja publicar informes técnicos sobre definição de critérios, parâmetros e áreas públicas prioritárias para implementação de medidas de conforto térmico urbano e sobre a disponibilização das análises dos dados climáticos.
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Texto adaptado da Comunicação da Prefeitura de São Paulo
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