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Cuidados paliativos ajudam as pessoas a viver melhor, mesmo enfrentando doenças graves
Douglas Crispim fala sobre o Comitê de Cuidados Paliativos instituído pelo Hospital das Clínicas, com o objetivo de fortalecer, integrar e modernizar as ações de cuidados paliativos em todo o complexo hospitalar
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP instituiu um Comitê de Cuidados Paliativos (CPali), ao mesmo tempo em que inaugura uma nova etapa de integração. Não é preciso sublinhar a importância dos cuidados paliativos, sobretudo para pessoas com doenças graves e que buscam alívio para seu sofrimento. “Os sofrimentos tratados pelos cuidados paliativos não são só do corpo, são sofrimentos também psicológicos, espiritual e social”, informa o médico geriatra e paliativista Douglas Crispim, diretor do Corpo Clínico do Instituto Perdizes do HC e diretor do Comitê. Ele lembra que o Hospital das Clínicas já oferece esses cuidados pelo SUS há muitos anos, mas eles foram crescendo ao longo do tempo em diferentes institutos, o que levou à necessidade de unificar esse tipo de serviço, com o intuito de compartilhar as boas práticas de saúde.
No momento, o serviço – que já é um dos maiores do País e da América Latina – está em fase de modernização, sempre na busca de entregar um cuidado que nada tenha a dever ao mesmo tipo de apoio oferecido num setor privado de saúde. “Não deixar passar nada que possa melhorar o atendimento nosso no Sistema Único”, diz Crispim.
É importante frisar que, num momento em que as pessoas vivem mais e passam por tratamentos modernos que prolongam sua existência, convivendo, portanto, mais tempo com suas respectivas doenças, os cuidados paliativos as ajudam a levar uma vida o mais normal possível. “Não é normal as pessoas ficarem passando por dores durante as doenças, não é normal a pessoa ficar tendo um sofrimento que deixa ela só dentro de casa, a família sofrer da forma que sofre”, diz Crispim. “A gente sabe que hoje, quando a pessoa adoece, adoece o cuidador, aquela pessoa que cuida está adoecendo junto. O cuidado paliativo hoje combate esse sofrimento desde o início, sem esperar a pessoa estar próxima do falecimento, algo que ajuda a viver melhor e não algo que cuida só do fim da vida – mas nos cuidamos também do fim da vida.”
Educar os médicos
Segundo ele, é preciso também educar os médicos para a importância dos cuidados paliativos modernos, muitos deles só conheceram os cuidados aplicados muito tempo atrás. Uma coisa leva à outra e uma preocupação atual é melhorar a qualidade da formação do profissional e compartilhar esse saber. “Para a pessoa ser paliativista, hoje, precisa na área médica ter outra residência médica antes de fazer a segunda, que é o cuidado paliativo, ou fazer especializações. Só que aí, para obter o título de área de atuação, precisa realmente comprovar uma prática mais longa”, esclarece Crispim. Outras profissões, como a enfermagem e a nutrição, têm adquirido a especialidade, “e nós estamos muito próximos da psicologia virar especialidade também no cuidado paliativo. Não tem como ter cuidado paliativo sem ter atendimento multiprofissional e sem cuidar da saúde mental do paciente, da família e do colega que cuida também”, frisa.
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