Disciplina sobre relações étnico-raciais nas universidades tem inscrições abertas para alunos de pós

A disciplina é oferecida pela Cátedra Encontro dos Saberes, em parceria com a Faculdade de Educação, e tem como objetivo subsidiar o debate e colaborar na elaboração de políticas públicas

 Publicado: 18/03/2026 às 16:22
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Alunos de pós-graduação têm até o dia 20 de março para se matricularem na disciplina Relações Étnico-Raciais na Universidade – Fotomontagem: Jornal da USP

 

Educação das relações étnico-raciais, políticas educacionais com recorte étnico-racial no ensino superior e políticas de inclusão e diversidade são alguns dos temas discutidos na nova disciplina da pós-graduação Relações Étnico-Raciais na Universidade: Projeto de Nação e Políticas de Diversidade.

A disciplina é oferecida pela Cátedra Encontro de Saberes, da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação (FE).

O objetivo é promover a compreensão e a análise crítica de fundamentos do ensino superior, articulando perspectivas históricas, políticas, epistêmicas e pedagógicas, de modo a subsidiar a elaboração de políticas públicas e práticas institucionais comprometidas com a educação das relações étnico-raciais, o enfrentamento do racismo e o fortalecimento de instituições democráticas voltadas à construção de uma sociedade equânime e livre de discriminações.

Rosenilton de Oliveira – Foto: Arquivo pessoal

A pré-matrícula pode ser feita até o dia 20 de março, pela internet, por todos os estudantes de pós-graduação da USP, em nível de mestrado, doutorado ou doutorado direto. A disciplina será oferecida no primeiro semestre de 2026. As aulas serão presenciais, às segundas-feiras, das 19h30 às 22h30, na sala 129, Bloco B, da FE.

A coordenação da disciplina é da titular da Cátedra Encontro dos Saberes, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, e do professor da Faculdade de Educação, Rosenilton Silva de Oliveira.

“Ao articular o debate sobre diretrizes curriculares e políticas universitárias, a disciplina pretende subsidiar a elaboração de políticas públicas e práticas institucionais comprometidas com a educação das relações étnico-raciais, com o combate às discriminações e com a avaliação de iniciativas voltadas à transformação das culturas acadêmicas e dos currículos”, explica Oliveira.

Durante o curso também serão realizadas visitas didáticas a espaços de memória e produção artística e cultural relacionadas à população negra no Brasil. O cronograma e a programação das atividades serão definidos no início do curso junto com a turma, considerando o contexto de oferta da disciplina.

Cátedra Encontro de Saberes

Criada em 2025, pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, a Cátedra Encontro dos Saberes tem a proposta de gerar e disseminar conhecimento sobre temas de pesquisas que tenham impactos na sociedade em âmbito local, nacional e internacional.

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A primeira titular da cátedra é a educadora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, reconhecida por uma carreira marcada pela luta contra o racismo e pela promoção de uma educação inclusiva. Sob sua orientação, a cátedra desenvolve atividades ligadas ao tema das políticas de diversidade na universidade por uma educação das relações étnico-raciais.

“A universidade ocupa lugar estratégico na produção de conhecimento, na formação profissional e na formulação de políticas públicas. Ao mesmo tempo, é atravessada por desigualdades e por formas de racismo que incidem sobre acesso, permanência, currículo, avaliação, relações de trabalho e reconhecimento de saberes. Por isso, a educação das relações étnico-raciais precisa ser tratada como eixo estruturante das práticas acadêmicas e institucionais, e não como tema periférico”, afirma Petronilha, que é uma das coordenadoras da disciplina Relações Étnico-Raciais na Universidade.

Sua trajetória intelectual e pública orienta a disciplina na direção de um trabalho simultaneamente rigoroso e implicado: formar quadros acadêmicos capazes de produzir conhecimento qualificado, formular propostas e contribuir para a consolidação de políticas e práticas universitárias antirracistas, em diálogo com a diversidade de saberes e com a responsabilidade pública da universidade.


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