Uma gestão voltada para as pessoas que constroem a Pós-Graduação da USP

Dando continuidade à série de matérias sobre os desafios e as diretrizes das Pró-Reitorias para os próximos dois anos, o pró-reitor Carlos Eduardo Ambrósio revela os planos para a Pós-Graduação da USP

 Publicado: 03/03/2026 às 18:12     Atualizado: 05/03/2026 às 14:30

Texto: Erika Yamamoto

Arte: Simone Gomes

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Reconhecida como a maior formadora de pós-graduandos do Brasil, a Pós-Graduação da USP impressiona não só pelos números – são 260 programas e quase 30 mil alunos matriculados – mas também pela excelência e pelo caráter inovador.

À frente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) pelos próximos dois anos, o pró-reitor Carlos Eduardo Ambrósio e a pró-reitora adjunta Marie-Anne Van Sluys planejam uma gestão voltada para a valorização das pessoas envolvidas na construção da pós-graduação da USP – estudantes, orientadores e servidores que atuam na área –, para a manutenção da excelência acadêmica dos programas e para o fortalecimento do impacto social das pesquisas desenvolvidas.

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“A excelência da pós-graduação da USP depende de uma boa interação entre orientado e orientador, da dedicação dos docentes, do engajamento de servidores técnicos e administrativos e de laboratórios, que fazem tudo funcionar. A melhor forma de garantir a manutenção da excelência é zelando por essas pessoas”, afirma Ambrósio.

Uma das primeiras iniciativas da gestão será a realização de visitas aos 260 programas da Universidade para ouvir suas demandas. A ideia é aproveitar o período após o encerramento da Avaliação Quadrienal da Capes para fazer um diagnóstico de como estão os programas e do que pode ser feito para incrementar a qualidade da pós-graduação da USP.

“Além da avaliação da Capes, a PRPG também realiza uma avaliação independente de seus programas, feita por especialistas internos e externos. Vamos dedicar um olhar distinto a cada programa, considerando suas especificidades e demandas, mas uma atenção especial será dispensada aos programas que obtiveram notas mais baixas na avaliação Capes”, explica Ambrósio.

Uma nova pós-graduação

Os próximos anos também serão marcados pela continuidade do Programa de Aperfeiçoamento da Pós-Graduação (PAPG), que introduziu um novo formato para os cursos de pós-graduação do Brasil, no qual o ingresso de estudantes se dá exclusivamente pelo mestrado. Após 12 meses de curso, os estudantes passam por um exame de qualificação e, se aprovados, podem optar por prosseguir no mestrado para concluí-lo em mais um ano, ou converter o mestrado em doutorado, que deverá ser concluído em até quatro anos.

No ano passado, 37 programas aderiram ao novo formato. Nos próximos meses serão realizadas avaliações do desempenho desses programas, em suas diferentes fases, para identificar dificuldades e realizar ajustes. A expectativa é que cada vez mais programas optem pelo novo formato.

Outro ponto que merece destaque são os mestrados profissionais. Segundo Ambrósio, “a ideia é rever a importância dos mestrados profissionais, analisando seu formato, suas características, sua evolução. Os mestrados profissionais têm um grande potencial para atender à demanda de estudantes que procuram cursos mais técnicos, entretanto, como não têm financiamento das agências de fomento, dependem exclusivamente de investimentos da Universidade”.

O pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Eduardo Ambrósio - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Internacionalização

Em termos de parcerias nacionais e internacionais, nos próximos anos, a Pró-Reitoria deverá iniciar as atividades do Programa Redes para Internacionalização Institucional (Capes Global). A USP é a coordenadora da Rede Integra Brasil – formada também pelo Instituto Butantan, Universidade Estadual de Goiás (UEG), Universidade Estadual de Roraima (UERR) e Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) – que foi uma das 23 propostas selecionadas pelo programa.

“O Capes Global é um programa de internacionalização, mas haverá também muita nacionalização. A parceria com universidades das regiões Norte e Centro-Oeste permitirá trabalhar em conjunto com programas de diferentes regiões, incrementando as pesquisas desenvolvidas, além de auxiliar no processo de internacionalização das universidades brasileiras”, explica o pró-reitor.

A primeira ação da rede será uma visita de representantes de todas as instituições envolvidas à Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) para discutir detalhes da parceria e formatar os processos.

O Capes Global terá vigência de cinco anos e a previsão de recursos destinados à rede é de R$ 25 milhões por ano, que poderão ser utilizados com bolsas no Brasil e no exterior, apoio à participação em eventos científicos e missões de trabalho internacionais. Os primeiros editais deverão ser publicados no segundo semestre de 2026.

Impacto social da pós-graduação

É cada vez mais clara a necessidade de identificar, conhecer e divulgar o impacto social da pós-graduação. No final do ano passado, a PRPG organizou um workshop dedicado à criação de indicadores de impacto social para os programas de pós-graduação. Essa iniciativa terá continuidade nesta gestão, ampliando a discussão sobre indicadores de impacto social e realizando atividades semelhantes.

Também nesse sentido, a PRPG pretende criar um Observatório da Pós-Graduação, um núcleo permanente de monitoramento, análise e divulgação de dados e indicadores relacionados a todo o sistema de pós-graduação da Universidade, que permitirá aferir resultados e impactos de forma sistemática e consistente.

Entre outras informações, o Observatório reunirá dados sobre os egressos da pós-graduação, como área de atuação, cargo, tipo de empresa, ganhos e parcerias. A iniciativa deverá ser desenvolvida em parceria com a Plataforma Alumni USP e o Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida).

“Os alunos ingressam na pós-graduação, defendem a dissertação ou a tese e depois, muitas vezes, perdemos o contato. Nós queremos obter mais informações sobre nossos egressos para conhecer o impacto da pós-graduação na vida desses profissionais e na sociedade como um todo”, defende Ambrósio.


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