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Promover a avaliação e a melhoria de cursos e disciplinas é a missão da Graduação
Abrindo a série sobre os desafios e as diretrizes das Pró-Reitorias da USP para os próximos dois anos, o pró-reitor Marcos Neira e o pró-reitor adjunto Paulo Takeo Sano falam sobre os planos para a Graduação da maior universidade da América Latina
Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
À frente da Pró-Reitoria de Graduação (PRG) pelos próximos dois anos, o pró-reitor Marcos Neira e o pró-reitor adjunto Paulo Takeo Sano assumem com o compromisso de fortalecer e ampliar mecanismos de avaliação de cursos e disciplinas e dar continuidade às iniciativas que fazem a Graduação da USP ser uma das mais desejadas do País.
Os novos dirigentes possuem uma vasta experiência na área de Graduação: Neira foi coordenador do curso de Pedagogia, presidente da Comissão de Graduação e diretor da Faculdade de Educação (FE) e pró-reitor adjunto de Graduação na gestão anterior; Paulo Sano foi presidente da Comissão Interunidades das Licenciaturas, presidente da Comissão de Graduação do Instituto de Biociências (IB) e coordenador da Câmara de Cursos e Ingresso da PRG.
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“Esta será uma gestão de continuidade, apoiada na experiência acumulada, nas ações já iniciadas e nos diagnósticos produzidos pela administração anterior. A proposta é aperfeiçoar o que já vem dando bons resultados e corrigir pontos que ainda exigem atenção, especialmente em cursos com baixa procura e altas taxas de evasão”, afirma Marcos Neira.
Sobre esse ponto, o pró-reitor adjunto mostra que haverá um olhar atencioso para o primeiro ano. “As pesquisas mostram um índice mais elevado de evasão no primeiro ano, ou seja, o primeiro ano é fundamental para garantir a permanência no curso. Toda expectativa é diferente da realidade e nosso plano é tornar o primeiro ano mais acolhedor, fazer com que o estudante se sinta pertencente a uma comunidade, que tenha contato com a profissão que irá exercer, que sinta orgulho de ser uspiano”, explica Paulo Sano.
A Pró-Reitoria deverá desenvolver ferramentas para se tornar mais aberta a ouvir as questões dos alunos, conhecer melhor suas expectativas, seus obstáculos, suas sugestões.
Segundo Neira, a PRG está preparando indicadores e métricas para avaliar o que acontece no primeiro ano da Graduação: “Queremos entender melhor o desempenho dos estudantes no primeiro ano, desde o número de disciplinas em que se matriculam até quantas conseguem concluir. Esses dados serão analisados em conjunto com informações qualitativas, obtidas por meio de entrevistas e grupos focais, para identificar obstáculos e orientar ajustes. Com isso, poderemos avaliar com mais clareza se o sistema de notas funciona adequadamente, se a distribuição das disciplinas é a mais apropriada e que melhorias podem ser feitas”.
Uma ação planejada para aprimorar o ensino de graduação na Universidade é a criação de um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica, que apoiará os docentes no planejamento das atividades pedagógicas e as unidades na preparação dos ambientes de ensino, reconhecendo o perfil e as necessidades dos estudantes e adotando técnicas e ferramentas pedagógicas mais adequadas.
O documento com as Diretrizes da Gestão da PRG 2026-2027 está disponível na página da Pró-Reitoria de Graduação.
Principais eixos de atuação:
* Modernização Curricular e Metodológica
* Permanência, Ambiência e Inclusão
* Formação e Valorização Docente
* Integração Ensino-Pesquisa-Extensão e Internacionalização
* Gestão Acadêmica e Avaliação Institucional
* Inovação, Sustentabilidade e Cultura Institucional
Inteligência artificial
Em se tratando de ferramentas pedagógicas, uma questão que tem se tornado cada vez mais presente é o uso da inteligência artificial no meio acadêmico.
“Um aspecto importante é desmistificar o receio, a preocupação de que a IA vai ocupar espaços de criação e originalidade dos alunos e dos professores, servindo de atalho para o aprendizado. A verdade é que a inteligência artificial veio para nos auxiliar, temos muito a ganhar e muito a aprender. Um desafio bom dessa nova gestão é começar a navegar por esse mar ainda não desbravado”, afirma Sano.
O pró-reitor Marcos Neira reforça que “o avanço da inteligência artificial não reduz o papel da docência, ao contrário, torna-o ainda mais central. Cabe às professoras e aos professores conduzir os processos de ensino e aprendizagem, elaborar materiais didáticos com apoio dessa tecnologia e criar condições para que os estudantes aprendam a utilizá-la de maneira crítica, ética e qualificada na compreensão de conteúdos, na organização de ideias, na produção de textos e na análise de informações”.
Está em fase de desenvolvimento uma disciplina na PRG sobre o uso responsável da inteligência artificial, que será aberta a todos os estudantes de graduação da Universidade.
Avaliação institucional
A gestão acadêmica e a avaliação institucional estarão em destaque nesta gestão. No ano passado, pela primeira vez, a USP participou do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que avaliou os cursos de Medicina e as licenciaturas e cursos da área das ciências humanas.
Como explica Neira, “o Enade é uma avaliação externa que fornece indicadores importantes para o aprimoramento dos cursos, ao tornar mais visíveis os pontos que precisam ser revistos. Foi justamente por reconhecer esse potencial que a Universidade decidiu participar do exame. A preparação para a edição deste ano já começou e envolve as coordenações dos cursos que participarão pela primeira vez, como Arquitetura, Engenharias, Química, Biologia e Computação”.
Além do Enade, a PRG também apresentou no último Conselho de Graduação, realizado no dia 26 de fevereiro, um sistema de avaliação de disciplinas que deverá começar a operar no final do semestre. O sistema deverá considerar a adequação da disciplina, o momento ideal para ser oferecida, a viabilidade de ser trabalhada em grupo e outras características.
“Quando falamos em avaliação, falamos de um instrumento pedagógico para aprimorar o ensino e corrigir fragilidades. Tanto o Enade quanto a avaliação das disciplinas geram informações importantes para as comissões coordenadoras de curso. Por isso, a coordenação pedagógica precisa ser reconhecida como uma função estratégica para a qualidade da graduação na nossa Universidade”, ressalta o pró-reitor.
Reserva de vagas para PCD
Um dos principais desafios dessa gestão será definir os critérios para a implantação de reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCD), determinada pela Lei 18.167/2025. Segundo o pró-reitor, um grupo de trabalho está sendo montado em parceria com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) para definir as diretrizes que serão adotadas para a reserva de vagas.
“No ano passado, a USP começou a discutir como se adequar à legislação estadual. Agora, esse trabalho entra em uma nova etapa, com a criação de um grupo que reúne representantes de coletivos, especialistas em educação especial e integrantes dos conselhos ligados à Graduação e à Inclusão e Pertencimento. Com menos de dois anos para cumprir o prazo legal, a Universidade está atenta a essa exigência e empenhada em avançar, com a urgência necessária, as alterações em sua legislação interna”, explicou Neira.
A implementação das cotas para PCD deverá acontecer já no vestibular que selecionará os estudantes que ingressarão na Universidade em 2028.
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