Pesquisadora da USP é destaque em sociedade científica internacional de biologia celular

Em colaboração com a Rutgers University, a doutoranda Rute Isabel Honorio, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, revela mecanismos de sinalização celular do parasita da malária que podem abrir caminhos para novos tratamentos contra a doença

 23/02/2026 - Publicado há 3 meses     Atualizado: 25/02/2026 às 12:03
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Mulher jovem, negra, de cabelos encaracolados na altura do ombro falando num pulpito e ao fundo uma apresentação
Rute Isabel Honorio recebeu a premiação no Qatar durante evento – Foto: LinkedIn

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A doutoranda Rute Isabel Honorio, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, recebeu o reconhecimento da European Calcium Society com a melhor apresentação oral durante a reunião de Junior European Calcium Society (jECS). O evento, realizado de 1 a 4 de fevereiro em Doha, no Qatar, reuniu jovens pesquisadores, doutorandos e especialistas internacionais dedicados ao estudo da sinalização e homeostase do cálcio, tema central para a compreensão de processos fisiológicos e patológicos.

“Compartilhei uma parte do meu trabalho de tese com mentes brilhantes em sinalização de cálcio e, mais importante, aprendi e absorvi o máximo que pude”, escreveu Rute em seu perfil no LinkedIn. Ela, que faz o doutorado no Programa de Fisiopatologia e Toxicologia da FCF, investiga os mecanismos de sobrevivência do parasita da malária no sangue humano. Sua pesquisa foca em um momento crítico do ciclo da doença: quando o parasita rompe as hemácias (glóbulos vermelhos) para invadir novas células, causando os sintomas clássicos da malária. Utilizando técnicas avançadas de imageamento, a pesquisadora identificou um padrão oscilatório de cálcio que precede a ruptura da membrana celular, mapeando as vias de sinalização que coordenam esse evento.

Essa descoberta é estratégica para o desenvolvimento de futuras terapias. “Os resultados aprofundam a compreensão dos mecanismos que regulam o ciclo de vida do parasita, o que é vital diante do avanço de cepas resistentes aos medicamentos atuais”, explica a pesquisadora.

Rute tornou-se a protagonista do primeiro convênio de dupla titulação entre a USP e a prestigiada Rutgers University, nos Estados Unidos. O doutorado é fruto de uma colaboração de longo prazo entre os laboratórios da professora Celia Garcia (USP), pioneira mundial no estudo de sinalização de cálcio em Plasmodium falciparum, e do professor Andrew Thomas (Rutgers), referência em imageamento celular.

Rute e o professor Andrew Thomas, seu orientador na Rutgers University – Foto: Divulgação FCF

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O convênio de duplo diploma, aprovado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP e pelo ex-reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, é um marco na internacionalização da Universidade. A iniciativa une a excelência de ambas as instituições, oferecendo ao aluno uma imersão em ambientes de pesquisa de alto nível e ampliando a autonomia acadêmica e as perspectivas de carreira global.

Um desafio de saúde pública

A relevância do estudo é sublinhada pelos dados epidemiológicos recentes. Em 2023, o mundo registrou 263 milhões de casos de malária, com cerca de 597 mil óbitos, atingindo severamente crianças e gestantes. No Brasil, o desafio concentra-se na região amazônica, onde a predominância do Plasmodium vivax divide espaço com o crescimento preocupante do Plasmodium falciparum, espécie mais letal da doença.

Para Rute, a experiência internacional, viabilizada por bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Rutgers University, foi um divisor de águas. “A obtenção do duplo diploma representou uma oportunidade única de aprendizado e de amadurecimento científico em um ambiente de excelência”, conclui a doutoranda.

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*Com informações da FCF


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