Projeto integra serviços de telessaúde e ações de bem-estar em um único ambiente

Mariana Chao comenta o projeto pelo qual recebeu um prêmio, nomeado de Estação de Telessaúde Integrada de Bem-Estar, que prevê combater as mazelas do envelhecimento populacional em locais com pouco acesso à saúde

 21/01/2026 - Publicado há 6 meses
Imagem de um homem, usando máscara e vestindo camisa azul, de costas para a câmera fazendo uma consulta à distância num computador em cuja tela aparece um médico
Durante a pandemia de covid-19, a telessaúde se mostrou eficiente e as experiências obtidas apontam que a iniciativa tem futuro – Foto: DC Studio/Freepik
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Aluna de mestrado em Gerontologia conquistou o primeiro lugar em prêmio de inovação para o SUS através de um estudo que aborda um dos maiores desafios do País: o envelhecimento populacional. O projeto, nomeado de Estação de Telessaúde Integrada de Bem-Estar, venceu o 17° Prêmio de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS. Segundo Mariana Chao, estudante de mestrado da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e autora do estudo, o objetivo do projeto é descentralizar o acesso à saúde e facilitar o seu acesso.

O estudo surgiu da vontade de combater a preocupação pública associada ao envelhecimento da população. “O Brasil está envelhecendo muito rapidamente, mas esse envelhecimento ainda acontece, na maioria das vezes, de uma forma pouco saudável, com pouco acesso à prevenção e ao acompanhamento contínuo. Isso impacta diretamente a qualidade de vida das pessoas, aumenta o número de doenças crônicas e gera também uma sobrecarga para o sistema de saúde como um todo, então a pesquisa parte justamente dessa realidade e busca pensar soluções mais próximas da vida cotidiana dessas pessoas.”

Mariana Chao – Foto: Reprodução/Instagram

O projeto conta com estações compactas para facilitar tanto o transporte quanto a disseminação desses módulos pela cidade. “A ideia foi unir saúde, tecnologia e o ambiente, sempre com foco nas pessoas e na realidade dos territórios onde elas vivem. Na prática, a Etibe é um espaço compacto, acessível e humanizado, que integra esses serviços de telessaúde e ações de bem-estar em um único ambiente. Só que ela não foi pensada para parecer um consultório médico tradicional. A ideia é que, ao entrar na estação, a pessoa se sinta mais em uma sala de estar do que em um ambiente clínico. A estação – na verdade, um módulo transportável – possui madeiras em tons claros, uma paisagem de natureza e uma iluminação acolhedora justamente para reduzir essa sensação hospitalar e também a claustrofobia, por ser um espaço compacto, mas sim aumentar também o conforto.”

“Além de ter todo esse acolhimento é possível realizar também as teleconsultas com profissionais de saúde e acompanhamento de pessoas com doenças crônicas. É possível também a telefisioterapia, a telerreabilitação, além de orientações de autocuidado, ações de prevenção. Tudo isso foi pensado porque é um espaço compacto, mas ele tem câmeras bem posicionadas para permitir tudo isso. Além da saúde física, a estação também permite atividades voltadas à saúde mental, emocional, com orientações, práticas guiadas e acompanhamento remoto. A proposta é justamente entender a saúde de uma forma ampla”, acrescenta.

Ela prossegue: “A ideia central é que ela esteja espalhada em vários cantos da cidade para conseguir descentralizar esse cuidado da saúde. Onde a pessoa está, onde ela circula, onde ela trabalha, vai ter uma estação. A ideia é que tenha uma estação para que ela consiga se cuidar, se prevenir ou fazer um acompanhamento, se beneficiarão todos, mas os principais serão as pessoas idosas, pessoas com doenças crônicas, as populações que enfrentam justamente essas barreiras de acesso à saúde ou barreiras de deslocamento”.

Reforço de compromisso

Atualmente existem duas estações físicas : a primeira localizada na Universidade de Brasília (UnB), no Campus Ceilândia; e, a segunda, na Unidade Municipal de Ensino (UME) na cidade de Santos, integrada ao Programa Santos Jovem Doutor.

O estudo reforça o compromisso da comunidade USP com a produção de conhecimento aplicado às necessidades da população. Mariana finaliza comentando: “A estação, além de ser uma estrutura compacta, que vai beneficiar muitos e é muito mais fácil de deslocar, tem um custo menor do que as estruturas tradicionais e é flexível e replicável. O envelhecimento não pode ser tratado como um problema, mas, sim, o problema é envelhecer em ambientes que não cuidam das pessoas. Quando aproximamos esse cuidado da vida cotidiana, a saúde deixa de ser uma exceção e passa a ser uma rotina. Isso foi o foco central, não apenas a teoria, e sim a prática.


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