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O nome vem do grego malakós (mole), uma referência direta às suas propriedades emolientes que já eram famosas na época do Império Romano. No entanto, apesar da ancestralidade e da popularidade, a malva (Malva sylvestris) e o hibisco (Hibiscus) ainda são alvos de confusão botânica no Brasil. De acordo com a cartilha nº 88 da Série Produtor Rural, chamada Plantas medicinais: malvas e hibiscos, editada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, com 36 páginas, desenvolvida pelos autores Isabelle de Oliveira Bonaldi e Lindolpho Capellari Júnior, professores da Esalq, o uso equivocado de espécies semelhantes pode comprometer os resultados terapêuticos esperados pelos consumidores. A publicação está disponível neste link.
Segundo o estudo, a Malva sylvestris possui dificuldades de adaptação ao clima tropical, florescendo apenas em áreas de temperaturas amenas, como a Região Sul e a Serra da Mantiqueira. O que a maioria dos brasileiros cultiva e consome sob o nome de “malva” é, na verdade, a malva-de-cheiro ou gerânio-cheiroso (Pelargonium graveolens). Embora esta última também possua propriedades medicinais, os pesquisadores sugerem que seria ideal incentivar a aclimatização da espécie original no País para garantir o acesso às suas propriedades específicas.
A espécie é amplamente estudada devido à importância que assume medicinalmente. A planta pode ser utilizada como laxativo, tônico para o fígado e contra azia. O consumo pode ser através de sopas, mas mais comumente ocorre através de saladas. As folhas e flores têm expressiva característica anti-inflamatória, principalmente contra gengivites, abcessos e dores de dente. As folhas e flores têm potencial de uso para tratamento de problemas urológicos, picadas de insetos, queimaduras, furúnculos e úlceras.
Benefícios
Já o hibisco, mais conhecido como hibisco-do-chá ou azedinha, entre outros nomes, pode ser completamente consumido, entretanto, tradicionalmente, folhas, caules, “cálices” e sementes são usados com maior frequência. De início, vale destacar a diversidade de bebidas, tanto quentes quanto frias, fermentadas ou não, produzidas com “cálices”.
A confusão também se estende aos jardins e xícaras de chá. A família Malvaceae, que inclui desde o algodão e o quiabo até o cacau, possui diversas variedades de hibiscos, mas apenas uma é a fonte do famoso chá de sabor ácido e adocicado: o hibisco-do-chá. “Muitas espécies não são tóxicas, mas não apresentam o efeito esperado do hibisco-do-chá”, alerta o boletim da Esalq.
“O ponto crucial para a identificação correta”, ainda segundo o boletim, “está no consumo dos pseudofrutos (cálices). Enquanto no hibisco-do-chá se aproveita dessa estrutura específica, o uso de outras espécies do gênero Hibiscus acaba se restringindo a botões, flores ou folhas, que não entregam os mesmos benefícios fitoterápicos ou gastronômicos.”
As sementes são um condimento amplamente usado na África Ocidental, obtido através da fermentação. Enquanto objeto de estudo na Nigéria, os resultados indicam que o condimento é uma boa e barata fonte de proteínas e probióticos, bem como de potássio e cálcio.
De maneira semelhante, os “cálices” também podem ser fermentados. Quando uma levedura é adicionada, o resultado dessa reação é um produto com quantidade suficiente de álcool para ser chamado de vinho. Entretanto, mais estudos são necessários, dentre eles: os efeitos do envelhecimento do vinho, os padrões de qualidade e volatilidade, bem como os efeitos sob os consumidores.
Guia Rápido de Identificação
| Planta | Nome científico | Onde cresce no Brasil | Característica principal |
| Malva-verdadeira | Malva sylvestris | Sul e Mantiqueira | Propriedades emolientes (suavizantes) |
| Malva-de-cheiro | Pelargonium graveolens | Todo o país | Frequentemente confundida com a malva |
| Hibisco-do-chá | Hibiscus sp | Cultivo difundido | Única que produz o cálice (pseudofruto) |
Para baixar gratuitamente a cartilha Plantas medicinais: malvas e hibiscos clique aqui.
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