Mortalidade infantil caiu 33% nos últimos 25 anos no Estado de São Paulo

João Paulo Lotufo explica as causas dessa queda com base em dados fornecidos pela Fundação Seade

 22/01/2026 - Publicado há 6 meses
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Imagem de um casal, o homem negro um pouco mais à frente, de camisa vermelha, de perfil para a câmera, enquanto atrás dele se posta uma mulher vestindo branco e carregando uma criança também negra em suas costas, tendo ao lado um jovem que aparece desfocado
A vacinação nos casos das mais diversas doenças diminuiu drasticamente as que antigamente matavam – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Estudo realizado pela Fundação Seade aponta queda de 33% na mortalidade infantil no Estado de São Paulo entre 2000 e 2024. No último ano, foram registrados 11,45 óbitos de menores de 1 ano por mil nascidos vivos. O professor João Paulo Lotufo, pediatra do Hospital Universitário da USP explica as razões para a queda.

João Paulo Lotufo – Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

“Antigamente havia muitos problemas como verminose, por exemplo, que nós não vemos mais graças à melhora de esgoto e água filtrada. Nós também temos a diminuição da pobreza no País e uma alimentação melhor para a população, que também são fatores de diminuição de morte.” Lotufo entende que o avanço tecnológico e os investimentos na saúde foram fundamentais para baixar o índice nos últimos anos. “Outra razão é a vacinação em massa e investimentos na saúde. A vacinação nos casos das mais diversas doenças diminuiu drasticamente doenças que antigamente matavam, como, por exemplo, o sarampo. Há 40 anos você não tinha UTIs pediátricas. Hoje nós temos recursos para impedir que crianças prematuras que antigamente morriam não morram mais. Todos esses recursos colaboraram com a diminuição da mortalidade infantil.”

Os desafios da medicina moderna

O professor acredita que o aumento de casos envolvendo autismo e TDAH pode ser um problema para a medicina: “As crianças sobrevivem mais, mas algumas doenças são novas para o pediatra. Transtornos intelectuais, como o TDAH, ou transtornos de comportamento, como o autismo, são exemplos. O grande problema que eu vejo é a falta de recursos para o acompanhamento dessas novas doenças. São chamadas de novas doenças porque estamos fazendo mais diagnósticos, mas não há os recursos para acompanhar essas crianças e para que a família tenha uma boa qualidade de vida. Nós, do Hospital Universitário e da pediatria, que realizamos o acompanhamento no ambulatório geral, estamos com grandes dificuldades para efetuar o encaminhamento para os ambulatórios especiais. É necessário abrir os olhos para esse assunto”.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


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