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Um olhar sensível sobre as sociedades das formigas, explorando sua complexidade e beleza através da fotografia, é o objetivo da exposição O Que os Olhos não Veem – um convite para desacelerar o olhar, de Monise Fernandes Menezes, que acontece de 9 a 30 de agosto, na cafeteria Caneca Café (Rua Vergueiro, 3.808, Vila Mariana, São Paulo), com entrada gratuita.
Monise é aluna de graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP ligada ao curso de Gestão Ambiental e busca com a fotografia revelar o universo invisível das formigas. Com imagens que unem arte e ciência, a exposição propõe uma reflexão sobre os mundos microscópicos que nos cercam, mas que muitas vezes passam despercebidos.
A artista traz em seu trabalho influências do cinema e da fotografia, criando narrativas que questionam nossa relação com o ambiente e seus habitantes invisíveis. Suas obras capturam a potência do coletivo, a resistência nos detalhes e a poética do cotidiano desses pequenos seres.
“A arte permite que a gente se conecte com o mundo mesmo com aquilo que a maioria nem vê. E aí entram os insetos. Que, por outra via, passam despercebidos no nosso cotidiano. Especialmente as formigas, que estão sempre por perto, mas continuam sendo ignoradas ou tratadas como irrelevantes. É um pensamento completamente equivocado e injusto”, explica Monise. “Nossa percepção dos seres vivos é profundamente antropocêntrica, enxergamos o mundo pelos nossos próprios olhos, valorizando o que se parece conosco ou nos serve diretamente, e descartando o que nos soa estranho. Mas, sem os insetos, os ecossistemas simplesmente colapsam. Mais de 80% das plantas com flores dependem diretamente delas para se reproduzir”.
A estudante também destaca o papel da gestão ambiental sobre seu trabalho. “Ela cruza biologia, ecologia, geografia, engenharia, direito, educação, economia e sociologia tudo isso pra entender como as atividades humanas impactam o meio ambiente e como a gente pode, de fato, viver em equilíbrio com ele. Tem quem diga que ser tão multidisciplinar é um problema. Mas é justamente isso que me encanta. Porque o ecossistema também é ‘múltiplo’, é sociedade, cultura, política e escolhas cotidianas. É tudo aquilo que nos cerca, e, nos atravessa”, ressalta Monise.

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A exposição é uma iniciativa do o Laboratório de Etologia, Ecologia e Evolução dos Insetos Sociais (LEEEIS) do Instituto de Psicologia (IP) da USP e do podcast Atiçando o Formigueiro, produzido pelos pesquisadores do laboratório, que desde 2021 investiga o mundo das formigas, unindo ciência, educação e curiosidade.
Também participam da produção da exposição Maria Fernanda Faria (design gráfico), Carolina Santos e Nicolas Châline (produção executiva e montagem), Maria Eduarda Lima Vieira e Clover Ribeiro (curadoria de textos e conteúdo).
Insetos sociais
O Laboratório de Etologia, Ecologia e Evolução dos Insetos Sociais (LEEEIS) se dedica ao estudo do comportamento, ecologia e evolução de insetos sociais, como formigas, abelhas e cupins. O laboratório investiga, por exemplo, o impacto de fatores como estradas e agricultura em serviços ambientais de áreas protegidas.
Além das pesquisas, o podcast educativo Atiçando o Formigueiro busca divulgar o conhecimento sobre insetos sociais para o público geral, abordando temas como comportamento, ecologia e evolução desses animais. O podcast está disponível no Spotify.























