O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad ), realizado com brasileiros acima de 14 anos, revela que o tabagismo segue sendo um problema grave, especialmente entre os jovens. A iniciação precoce e o fácil acesso aos dispositivos eletrônicos para fumar (como os vapes) alimentam a epidemia de nicotina, apesar da alta percepção de risco. Atualmente 15,5% da população brasileira usa nicotina (cerca de 26,8 milhões de pessoas). Desses, 9,9% fumam cigarro tradicional, 3,7% usam dispositivos eletrônicos, e 1,9% fazem uso de ambos. A maioria dos usuários de cigarros eletrônicos (77,6%) não reduziu o consumo do cigarro convencional. Apenas 9% pararam de fumar, mas continuam dependentes da nicotina via dispositivos.
Entre os adolescentes fumantes, 37,6% começaram antes dos 14 anos e 45,2% têm pais que fumam ou fumaram, o que influencia a iniciação. No geral, 38% da população já experimentou cigarro, sendo que 26% iniciaram antes dos 14 anos.
Apesar da queda histórica no tabagismo houve um aumento de 25% no número de fumantes de 2023 para 2024, segundo o Vigitel. Sobre os cigarros eletrônicos, 8,8% da população já usou; no último ano, 5,6% usaram; no último mês, 2,2%. A maioria que experimenta continua usando: 63,6% dos adultos e 76,3% dos adolescentes. O uso diário foi relatado por 6,9%.
Embora 92% da população perceba o cigarro como prejudicial e 94,7% considerem os vapes nocivos, entre os adolescentes usuários a percepção de risco é significativamente mais baixa. Além disso, 80% dos adolescentes consideram fácil obter dispositivos eletrônicos, muitas vezes por meio de terceiros, já que a compra formal caiu de 15% em 2012 para 1,7% em 2023 e o fornecimento por terceiros aumentou de 6% para 16,8%.
O estudo alerta para os riscos do uso contínuo de produtos que, apesar de proibidos, continuam amplamente acessíveis, especialmente aos jovens.
Dr. Bartô e os Doutores da Saúde
A coluna Dr. Bartô e os Doutores da Saúde, com o professor João Paulo Lotufo, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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