A proposta de Reforma do Imposto de Renda avança no Congresso, mas segue gerando críticas entre especialistas. O relator do projeto manteve em apenas 10% a alíquota máxima para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano e isentou completamente rendas mensais de até R$ 5 mil. Quem explica é o pós-doutor em História Econômica pela USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) José Luiz Portella. Para o pesquisador, a medida ignora a urgência de combater a extrema pobreza e revela, mais uma vez, a ausência de um verdadeiro projeto de país.
Portella afirma que a Reforma do IR está sendo construída de forma imediatista, sem enfrentar as desigualdades estruturais do Brasil. Embora a aprovação da proposta pareça garantida, dado o apoio articulado por Arthur Lira, Portella alerta para os vícios de origem da medida.
A crítica central do pesquisador recai sobre a escolha de beneficiar a classe média com isenções, em detrimento de uma ação concreta para erradicar a miséria. Ele aponta que quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 7 mil não está na extrema pobreza, mas o foco da reforma está nesse público, enquanto cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em condições de pobreza ou extrema pobreza.
Portella defende uma reforma que reveja de forma ampla a tabela do Imposto de Renda, criando novas faixas de alíquota para os super-ricos — que, hoje, pagam no máximo 27,5%. “Falta um projeto de país”, resume, defendendo uma tributação justa que permita políticas permanentes de inclusão social e combate à desigualdade.

























