Durante reunião da Sociedade Internacional de Pesquisa com Células-Tronco (ISSCR, em inglês) realizada em Hong Kong, no dia 12 de junho, pesquisadores apresentaram um trabalho que chamou a atenção dos participantes. Eles desenvolveram camundongos com órgãos contendo células humanas (quimeras humano-animais), injetando-as diretamente no líquido amniótico de fêmeas prenhes.
O método resultou em filhotes com algumas células humanas em seus intestinos, fígado e cérebro. Contudo, os cientistas afirmam que mais pesquisas precisam ser feitas até que a técnica se torne útil. Para isso, é necessário aumentar a proporção de células humanas que crescem nos órgãos. O trabalho ainda não foi revisado por outros pesquisadores.
“Um mês depois do nascimento, os filhotes tinham cerca de 10% de células humanas nos intestinos, o que correspondia a 1% das células totais. A proporção de células humanas no fígado e cérebro foi menor”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “Os pesquisadores concluíram que o sucesso foi modesto e querem melhorar a estratégia.”
Mayana diz que essa nova estratégia poderia, no futuro, aprimorar o xenotransplante e controlar a rejeição de órgãos. Xenotransplante é uma técnica que realiza o transplante de órgãos de suínos para seres humanos. As pesquisas vêm avançando significativamente e, recentemente, a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos – que equivale à nossa Anvisa -, já autorizou o primeiro ensaio clínico com rins de suínos para pacientes em hemodiálise que não conseguiram um doador compatível.
A geneticista lembra que pesquisas realizadas em camundongos nem sempre podem ser reproduzidos em animais de grande porte como os suínos. “Mas fiquei pensando que talvez, se isso for feito em suínos geneticamente modificados para serem doadores de órgãos, talvez o contato prévio com células humanas diminua o risco de rejeição quando forem transplantados. Por enquanto, isso é só uma especulação.”
Decodificando o DNA
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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