Pesquisadores de universidades brasileiras e internacionais, representantes de doze países e da Unesco compartilharam experiências, conhecimento e propostas para o serviço público de comunicação no 1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas nos dias 21 e 22 de maio.
Nesta edição especial, o programa traz a cobertura completa do evento que teve como um dos temas de destaque a atuação das emissoras públicas no ecossistema midiático digital. Diversas organizações de serviço público criaram aplicativos próprios de notícias e streaming e estão presentes nas plataformas digitais onde publicam informação e interagem com o público.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Núcleo de Rádio e TV da instituição Marcelo Kischinhevsky mediou o painel que debateu a atuação das emissoras públicas no atual contexto de desinformação. Os convidados discutiram a presença das emissoras públicas nas redes sociais.
“É necessário estar nas plataformas [digitais], embora sejam controversas porque também abrigam muita desinformação, discursos enganosos, negacionismo e discursos de ódio. É um risco enfrentar esse cenário, mas não se pode fugir à responsabilidade. A gente tem que ter essa presença digital para fazer frente a essa desinformação toda que circula hoje em escala industrial”, afirmou Kischinhevsky.
A Universidade de São Paulo sediou o congresso organizado pela Superintendência de Comunicação Social da USP, que contou com o apoio da Rede de Rádios Universitárias do Brasil (Rubra) e da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rádio e da TV Cultura de São Paulo.
Foram cinco painéis e dois colóquios em dois dias de congresso. Além de abordar questões sobre desinformação e presença digital, os convidados trocaram experiências sobre formatos de financiamento das instituições, caminhos de diálogo com a sociedade, participação do público e indicadores de qualidade. O evento teve ainda um segmento teórico com a apresentação de 33 textos acadêmicos em 5 grupos de trabalho sobre temas relacionados a comunicação pública, inteligência artificial, jornalismo, plataformas digitais e redes sociais, arte e entretenimento.
Representantes da América Latina e da África debateram sobre o idealismo e o pragmatismo das emissoras públicas ou estatais que atuam em seus países. Houve ainda um colóquio sobre a atuação das rádios universitárias no Brasil e na América-Latina.
Durante o congresso, diversos pesquisadores reafirmaram a relevância do serviço público de comunicação para promover a educação, garantir o acesso à informação e contribuir para a saúde da democracia.
“A comunicação pública promovida pelas emissoras de rádio e televisão que não têm finalidade comercial, não professam nem divulgam uma doutrina religiosa, não se filiam a um partido ou a uma corrente partidária, não cumprem designações de governo, mas procuram representar a sociedade e dialogar com a sociedade, elas precisam existir. Onde elas existem com mais força, a democracia está mais protegida”, afirmou o pesquisador e professor da ECA Eugênio Bucci.
A gravação completa do evento está disponível no site do 1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas. O Jornal da USP elaborou uma cobertura especial sobre o evento.
Sugestão de leitura sobre o tema:
Serviço Público de Radiodifusão: um estudo de direito comparado
Toby Mendel, Unesco, 2011
“Public broadcasting: why? how?”
Conseil Mondial de La Radiotélévision, Unesco, 2001
Opportunities and challenges for public broadcasting’s role in provisioning the public with news and public affairs.
Artigo disponível gratuitamente escrito por Patricia Aufderheide e Jessica Clark, com participação editorial de Jake Shapiro, publicado em Media Re:Public, Side Papers, Public Broadcasting and Public Affairs, 2008.
US Public Broadcasting: A Bulwark against Disinformation?
Capítulo disponível gratuitamente escrito por Patricia Aufderheide, publicado no livro digital The Disinformation Age Politics, Technology, and Disruptive Communication in the United States, Cambridge University Press, 2020.
“Rádios universitárias e o necessário enfrentamento ao negacionismo”, de Marcelo Kischinhevsky, Debora Cristina Lopez, Lena Benzecry. Radiofonias: Revista de Estudos em Mídia Sonora, 2021.
O Estado de Narciso
Livro de Eugênio Bucci. Editora: Companhia das Letras, 2015
Universo das Emissoras Públicas
O Universo das Emissoras Públicas vai ao ar quinzenalmente às sextas-feiras, às 17h, pela Rádio USP FM 93,7Mhz (São Paulo) e Rádio USP FM 107,9 (Ribeirão Preto). As edições do programa estão disponibilizadas nos podcasts do Jornal da USP (jornal.usp.br) e nos agregadores de áudio como Spotify, iTunes e Deezer.
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