USP encurta o caminho para o doutorado em 37 programas, em sintonia com alunos e sociedade
A Universidade de São Paulo (USP) vai encurtar o caminho para o doutorado em 37 programas de pós-graduação, a partir do segundo semestre. Pela iniciativa, o estudante entrará no mestrado, fará o exame de qualificação em um ano e, se for aprovado, poderá optar por concluir o mestrado em mais um ano ou ir diretamente para o doutorado, com a previsão de conclusão em quatro anos.
Implementado na década de 1960, o modelo vigente tem um percurso com duração de até nove anos, o que tende a afastar os talentos da pesquisa. Por isso, a ideia não é somente diminuir a duração dos cursos, mas despertar o interesse dos jovens pela ciência, além de oferecer uma formação que atenda às demandas da academia e também às da sociedade.
Essa formação acelerada de modo algum significará queda de qualidade. Só puderam aderir à iniciativa cursos de excelência, com nota 6 ou 7, na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Estão entre eles Agronomia, em Piracicaba; Ciências da Computação, na capital e em São Carlos; e Genética, em Ribeirão Preto. Essa seletividade mostra o compromisso da USP com a boa formação e ainda serve de antídoto a críticas infundadas.
Além de atrair cérebros valiosos, o novo modelo não quer perdê-los. Em Ciências da Computação, do Instituto de Matemática e Estatística (IME), a taxa de evasão é alta, e boa parte dos alunos que deixam a pós-graduação já estudava havia mais de dois anos. Ao Jornal da USP, o coordenador do curso, Denis Deratani Mauá, explicou que isso ocorre porque o estudante encontra “uma outra oportunidade” de vida ou simplesmente perde “o interesse”.
Seja lá qual for o motivo para esse abandono, há o desperdício de dinheiro público, haja vista que a USP empenhou recursos na formação de um pós-graduando, e há a perda de capital humano, uma vez que um pesquisador desistiu dos estudos porque a Universidade não correspondeu às suas expectativas. Como afirmou o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, o modelo vigente de pós-graduação cumpriu importante papel na formação de docentes e na expansão do ensino superior, mas chegou a hora de ir além, com uma proposta “mais dinâmica, eficiente e adaptada às demandas dos jovens profissionais”.
Essas novas pesquisas terão de estar conectadas com as necessidades práticas da sociedade, o que implica atuação dentro e fora da academia, com foco em inovação, empreendedorismo, atividades ligadas à indústria e impacto social, entre outras áreas do conhecimento, aproximando os estudantes das empresas privadas e dos órgãos públicos.
Os primeiros programas que aderiram às mudanças, segundo o pró-reitor de Pós-Graduação, Rodrigo Calado, “estão inaugurando uma nova etapa da pós-graduação no Brasil” e servirão de inspiração. Há tempos o País precisava de um novo modelo de pós-graduação, capaz de formar bons docentes para as universidades, de dialogar com a iniciativa privada e de entregar quadros qualificados para os mais diversos setores da economia. Oxalá mais instituições sigam o exemplo da USP.

(Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 21/06/25)























