A Zona Franca de Manaus (ZFM) foi proposta em 1951 por Francisco Pereira da Silva, deputado federal brasileiro. Em 1957, sob governo de Juscelino Kubitschek, a área se tornou um porto livre para armazenamento e retirada de produtos internacionais, por exemplo. Castello Branco, o primeiro dos presidentes da ditadura militar, foi o responsável por tornar a ZFM um local de livre comércio, com incentivos fiscais para promover a ocupação do Norte do Brasil.
Entretanto, para José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a área é um modelo negativo de ação por gerar desigualdade. “A Zona Franca de Manaus é um dos exemplos mais clássicos de uma política que foi feita para um benefício e hoje traz mais despesa para o Brasil”, afirma.
O especialista cita o Índice de Progresso Social (IPS) de 2025, que mostra o Norte do País como a região com pior qualidade de vida. Para ele, apesar do projeto gerar empregos, é necessário ter um retorno financeiro para a melhora dos indicadores.
Além disso, Portella vê uma “insensatez” no processo, pois a produção é realizada em outras regiões — como Sul e Sudeste — e deslocada para o Norte, além do retorno não se equiparar ao investimento. “Com a diversidade que tem o Amazonas, você poderia ter outras plataformas de emprego que estivessem ligadas à defesa da selva amazônica e à exploração da sua diversidade fitoterápica”, expõe.
O pesquisador entende que outras políticas também apresentam o objetivo de reduzir a desigualdade, mas produzem um efeito contrário. Ele exemplifica com o Tarifa Zero, o qual garante o transporte público gratuito, financiado pelo orçamento do referido município. “A Tarifa Zero pode funcionar em pequenas cidades para ativar o comércio, cidades em que você tem um comércio muito centralizado, mas pequenas cidades”, explica. Segundo Portella, essa ação não é efetiva em localidades grandes, devido sua análise de que “vai entrar muito mais gente no ônibus que não precisa, que pode pagá-lo”.
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