
No próximo dia 4 de junho, às 10 horas, a Biblioteca Municipal Camila Cerqueira César, no Butantã, zona oeste de São Paulo, receberá um encontro de cultura indígena e contação de histórias para crianças. O encontro faz parte de um projeto que é fruto de um curso de extensão em Etnologia Indígena, oferecido pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
A proposta central é justamente levar para fora da Universidade os conhecimentos adquiridos dentro dela. A iniciativa partiu de estudantes do curso de extensão, que é ministrado pelo professor de antropologia Pedro Cesarino. Os encontros são abertos ao público, no espaço cedido pela biblioteca.

“Esse projeto, trazido por uma aluna do curso de Ciências Sociais da USP como parte de seu trabalho de extensão, reflete um compromisso com o fortalecimento da identidade e das vozes indígenas. Ao ser realizado na biblioteca, não apenas ganha visibilidade, mas também se integra ao trabalho que já desenvolvemos em parceria com a comunidade escolar, facilitando a adesão de alunos e familiares”, comenta Alessandra Atti, coordenadora da biblioteca Camila Cerqueira César.
Alessandra conta, ainda, como o espaço da biblioteca também tem ajudado o projeto a alcançar mais pessoas: “A proximidade da biblioteca com a comunidade é um ponto forte. Temos um público cativo que frequenta outras atividades, permitindo que iniciativas como essa sejam bem-recebidas e participativas”.
Cosmologia indígena
No encontro do dia 4, o projeto vai receber como convidado Eric Kamikiawa, pós-graduando em Antropologia Social da USP e indígena do povo Kura-Bakairi. Eric vai falar sobre contos e cosmologia indígena. “Eu sempre conto a história do meu povo Kura-Bakairi, do estado de Mato Grosso. Em qualquer lugar que eu for. Para mim, é gratificante! É muito importante contar o mito que meu povo Kura-Bakairi sabe, transmitir também por meio desse mito conhecimento. A importância da mãe terra, a importância do meio ambiente e dos animais. Então, para mim vai ser muito importante transmitir esse saber do meu povo”, conta o pesquisador indígena.

“Eu sou porta-voz do meu povo. Acredito que as crianças vão gostar, vão começar a entender também. É importante esse mito ser contado na fonte, por indígena Kura-Bakairi”, conclui.
No dia 11 de junho, às 10 horas, a convidada do projeto será a antropóloga, etnóloga, pesquisadora e escritora brasileira Betty Mindlin. Ela é professora visitante do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e filha do casal Mindlin, doadores do acervo que fundou a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
O último encontro vai acontecer no dia 17 de junho, às 14 horas. A convidada da ocasião será Veronica Stigger, escritora, jornalista, professora e crítica de arte brasileira. Verônica é vencedora do prêmio Jabuti, o maior prêmio da literatura brasileira, na categoria Contos, com a obra Sul, livro publicado em 2016 pela Editora 34.
A Biblioteca Municipal Camila Cerqueira César fica na Rua Valdemar Sanches, 41, no Butantã.
*Estagiário sob supervisão de Antonio Carlos Quinto e Silvana Salles

























