Grupo de pesquisa da USP é reconhecido como referência global no estudo dos solos

Grupo de Geotecnologias em Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, recebeu menção do Dokuchaev Soil Science Institute, instituição Russa pioneira no estudo dos solos

 22/04/2025 - Publicado há 1 ano
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Seis homens, com equipamentos, estudam o solo
Grupo de Geotecnologias em Ciência do Solo da USP em Piracicaba recebeu reconhecimento do Dokuchaev Soil Science Institute – Foto: Divulgação / Geocis Esalq USP

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Texto: Caio Albuquerque*

O Grupo de Geotecnologias em Ciência do Solo (GeoCiS), do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, recebeu um importante reconhecimento do Dokuchaev Soil Science Institute, da Rússia, instituição considerada o berço da pedologia (ramo da ciência que estuda o solo em seu ambiente natural). A equipe foi contemplada com uma menção de destaque da Academia de Ciências da Rússia, por meio do Ministério da Ciência e Educação do País. 

A menção ressalta o GeoCiS como um dos líderes globais nas áreas de pedologia, mapeamento e sensoriamento remoto aplicados ao estudo dos solos. Segundo o documento oficial, “o grupo se destaca também por desenvolver os caminhos mais inovadores da ciência do solo”. Segundo o professor José Alexandre Demattê, coordenador do grupo de pesquisa, “esse reconhecimento, concedido pelo Dokuchaev Soil Science Institute, tem grande relevância, pois vem de uma das mais prestigiadas instituições da ciência do solo no mundo”, afirma 

Um dos principais destaques mencionados pelo instituto internacional é a Biblioteca Espectral de Solos, desenvolvida pelo grupo. Esse projeto levou mais de 25 anos para ser concluído e contou com sete projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), envolvendo mais de 80 pesquisadores brasileiros de diversas instituições. “A Esalq desempenhou um papel essencial na disseminação dessa técnica em todo o País. Se em 1998 existiam apenas três instituições atuantes nesta área, hoje já são dezenas,” afirma o professor Demattê. Parte dessa trajetória foi descrita em uma publicação no prestigiado Dokuchaev Soil Bulletin (Novais et al., 2024).

Além do impacto nacional, o GeoCiS expandiu suas atividades para o cenário global. Atualmente, o grupo coordena o projeto WorldSpecs – Serviço de Análise de Solos via Espectroscopia do Mundo, que reúne mais de cem pesquisadores internacionais. Esse projeto representa um avanço significativo na comunicação global sobre solos, viabilizando análises por meio de sensores e permitindo acesso a dados de diferentes partes do mundo.

Outro grande avanço será a criação de uma plataforma gratuita e interativa, onde usuários poderão realizar análises de solo diretamente na nuvem. Apesar dessa inovação, o professor Demattê destaca que o modelo adotado será estimativo, e não determinístico, o que significa que os laboratórios tradicionais continuarão sendo essenciais para garantir precisão nos resultados. “O sistema funcionará de forma híbrida, unindo tecnologia e métodos laboratoriais para maior eficiência”, explica o coordenador.

Reconhecimento do Dokuchaev Soil Science Institute, da Rússia – Foto: Denise Guimarães/Esalq

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Perspectivas 

Para o professor Demattê, esse reconhecimento reforça a importância do trabalho desenvolvido, mas o mérito vai além de um único grupo. “Temos que destacar a qualidade dos profissionais do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, ressaltando que o sucesso resulta do esforço coletivo. Nosso diferencial é o trabalho em equipe, e essa conquista reflete o empenho de todos os pesquisadores envolvidos,” afirma.

Com iniciativas inovadoras e parcerias globais, o departamento segue impulsionando o avanço da pesquisa, promovendo novas tecnologias e ampliando o impacto do conhecimento científico na agricultura e no meio ambiente. “Com uma base sólida construída ao longo de décadas e um olhar voltado para o futuro, o GeoCiS continua expandindo fronteiras e consolidando o Brasil como referência mundial na ciência do solo”, finaliza Demattê.

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*Da Assessoria de Imprensa Esalq USP


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