A criminalidade como um fator que afeta o pleno desenvolvimento econômico

A criminalidade, de uma forma geral, traz incerteza para o investidor, que está sempre à procura de um ambiente de estabilidade econômica

 23/04/2025 - Publicado há 1 ano

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O assunto desta coluna do professor Luciano Nakabashi é a relação entre criminalidade e economia, uma equação na qual entra como componente vital a questão da segurança, com a qual o investidor planeja contar antes de colocar seu dinheiro num negócio qualquer, pois este busca, acima de tudo, um clima de estabilidade econômica, algo que a criminalidade tende a corroer ao instalar a incerteza. “Acaba sendo um elemento importante não só na questão da decisão de investimento e na quantidade de investimento, mas até de moradia das pessoas. Tem muitas pessoas que são altamente qualificadas, que saem do Brasil pela questão de segurança, a gente perde uma mão de obra que poderia estar ajudando, mão de obra ou empresário, ou acadêmicos que poderiam estar de alguma forma ajudando o Brasil”, comenta Nakabashi. Esse é um problema não restrito somente ao Brasil, mas também à América Latina como um todo, com tudo o que pode representar de negativo para o desempenho da economia.

De acordo com o colunista, para reduzir a criminalidade é preciso estar atento, além da questão educacional, às oportunidades de trabalho e de obtenção de renda. No entanto, há uma questão cultural que não pode ser negligenciada, de vez que onde a criminalidade reina existe uma possibilidade maior de engajar as pessoas nesse tipo de atividade. “Tem que se quebrar esse ciclo e outra forma que se pensa muito é a questão de punição, a questão de prisão, a questão das penas. “Quando a gente pensa no Brasil, essa é uma coisa que precisa ser muito pensada, a questão  de prender as pessoas. O Brasil é um dos países com mais altas taxas de pessoas que estão presas em relação à população total, e o que a gente percebe é que, quando a pessoa vai para o sistema carcerário, ela acaba tendo uma experiência bastante negativa, não só no sentido da experiência em si, mas de conhecer e integrar facções, passar a integrar facções criminosas, e quando elas saem da prisão, elas acabam tendo mais probabilidade de se engajar em atividades criminosas e até de se envolver em facções que não tinham acesso antes”, avalia Nakabashi. O fato de hoje, no Brasil, as prisões serem dominadas por essas facções tende a agravar o quadro em vez de melhorar. Para o colunista, isso é uma coisa a ser repensada.


Reflexão Econômica
A coluna Reflexão Econômica, com o professor Luciano Nakabashi, vai ao ar quinzenalmente,  quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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