Estudantes de nove estados se destacam como os grandes vencedores da Febrace 2025

Projetos premiados na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, realizada na USP, são do Ceará, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins

 31/03/2025 - Publicado há 1 ano
Quatro jovens em volta de um balcão explicando um experimento
Jovens apresentando experimentos na Febrace 2025 – Foto: Jornal da USP/Julio Bazanini

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Criada para estimular a cultura científica, a inovação e o empreendedorismo entre estudantes da educação básica e técnica, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), promovida pela Escola Politécnica (Poli) da USP e realizada pelo LSI-TEC, encerrou a edição de 2025 na última sexta-feira, dia 28 de março, com a consagração dos projetos campeões. Ao todo, 11 projetos foram premiados com o primeiro lugar nas categorias gerais da mostra – Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Engenharia. Desses, seis também conquistaram vaga para representar o Brasil na Regeneron Isef 2025, que acontecerá em maio, nos Estados Unidos. Outros três projetos foram selecionados exclusivamente para a Isef.

Os projetos vencedores são de estudantes de escolas localizadas nos estados do Ceará, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. Os autores receberam medalhas, certificados digitais e troféus. Patrocinado pela Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, aqueles contemplados com vaga para a Regeneron Isef terão todas as despesas cobertas, incluindo transporte, hospedagem, alimentação e credenciamento.  

Além dos primeiros colocados, a Febrace 2025 também reconheceu os projetos que conquistaram 2º, 3º e 4º lugares, homenageou professores orientadores de destaque e premiou os melhores projetos por estado. A edição deste ano distribuiu ainda dezenas de prêmios especiais oferecidos por universidades, institutos de pesquisa, empresas e organizações internacionais. A lista completa está disponível no site da Febrace neste link.

Nesta edição, a Febrace contou com 300 projetos finalistas, desenvolvidos por 671 estudantes do ensino básico e técnico, de 269 escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil.

Confira os grandes vencedores da Febrace 2025:

1° Lugar em Ciências Agrárias
Watreat: membrana biopolimérica para tratamento de água
De Cascavel – CE

1° Lugar em Ciências Biológicas
Manganês e metalômica tumoral: uma nova via terapêutica para tumores invasivos
De São João de Meriti – RJ

Nanocare: desenvolvimento de enxaguatório bucal contendo nanopartículas de prata com vistas ao tratamento de mucosite oral em pacientes oncológicos
De Umuarama – PR

1° Lugar em Ciências da Saúde
R.E.A.C.T (Revolutionary Exotoxin A Combat Techniques): design de inibidores da exotoxina A da Pseudomonas aeruginosa projetados com docking molecular e in silico ADMET contra superbactérias de infecções
nosocomiais (infecções hospitalares)
De São Paulo – SP

1° Lugar em Ciências Exatas e da Terra
Sírius: Simulando imagens de raios-x através da matemática
computacional
De Hortolândia – SP

Filtro mineral de baixo custo para o tratamento de água, feito a partir do reaproveitamento ecológico dos rejeitos do granito ocre da indústria de
rochas ornamentais – projeto TAMM
De Pedra Branca – CE

1° Lugar em Ciências Humanas
Readings: site que auxilia na superação das dificuldades de leitura de alunos com dislexia e TDAH
De Santa Bárbara d’Oeste – SP

Explorando fronteiras virtuais: o uso da realidade virtual para o ensino da química – a cozinha como ambiente de aprendizagem
De Pedro Canário – ES

1° Lugar em Ciências Sociais Aplicadas
Mapeamento de pessoas com deficiência na favela de
Paraisópolis (PCDs): prontuário cartográfico para o atendimento no Sistema Único de Saúde (PROMAP – SUS)
De São Paulo – SP

1° Lugar em Engenharia
ModularSys – sistema telemétrico dinâmico autônomo modular
para monitoramento, controle e automação
De Jaboatão dos Guararapes – PE

Sustainware: alternativa sustentável para a produção de louça cerâmica
De Feliz – RS

Vencedores selecionados para a Regeneron Isef
Patrocinado pela Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil, os contemplados terão todas as despesas de credenciamento, transporte, hospedagem e alimentação para participarem da Regeneron Isef, que acontecerá de 10 a 16 de maio de 2025, em Columbus, Ohio, nos Estados Unidos:

Watreat: membrana biopolimérica para tratamento de água
De Cascavel – CE

Manganês e metalômica tumoral: uma nova via terapêutica para tumores invasivos
De São João de Meriti – RJ

Nanocare: desenvolvimento de enxaguatório bucal contendo nanopartículas de prata com vistas ao tratamento de mucosite oral em pacientes oncológicos
De Umuarama – PR

Potencial antimicrobiano do extrato hidroalcoólico da
Myracrodruon urundeuva (aroeira)
De Mossoró – RN

Sírius: Simulando imagens de raios-x através da matemática
computacional
De Hortolândia – SP

Filtro mineral de baixo custo para o tratamento de água, feito a partir do reaproveitamento ecológico dos rejeitos do granito ocre da indústria de rochas ornamentais – projeto TAMM
De Pedra Branca – CE

Unfake: desenvolvimento de uma ferramenta para detecção de deepfakes de áudio utilizando inteligência artificial
De Campinas – SP

Formulações de filmes bioativos à base de amido de coco babaçu aditivados com nanofibras de celulose e óleo essencial de Curcuma longa L.
De Araguaína – TO

Sustainware: alternativa sustentável para a produção de louça cerâmica
De Feliz – RS

Confira outros projetos que estiveram na Febrace 2025:

Absorvente biodegradável e antifúngico

Para reduzir o impacto ambiental do descarte de absorventes convencionais, que levam mais de 400 anos para se decompor, a estudante Jaqueline Souza Andrade e mais três colegas do Centro Territorial de Educação profissional do Sisa II, de Araci (BA), desenvolveram um absorvente biodegradável feito com bioplástico à base de extrato de folhas de amora. Além de substituir o plástico convencional, o bioplástico tem ação antifúngica e antibacteriana, trazendo benefícios à saúde íntima da mulher. O absorvente mantém o formato e conforto dos produtos tradicionais, mas se decompõe em apenas seis a oito meses. “O produto é de baixo custo pensando nas pessoas que não têm condição de comprar produtos de higiene pessoal, custando apenas R$ 0,25”, explicou a aluna.

 Dicionário tupi-mondé – português

Itxalee Orgoyan G. Cinta Larga, de Rolim Moura (RN), desenvolvou o primeiro dicionário tupi-mondé – português. A língua, falada por quatro etnias de Rondônia, enfrenta o risco de desaparecimento devido a falta de registros formais e a influência da colonização. Com mais de 300 palavras, o material será disponibilizado on-line para indígenas e pesquisadores. Esse projeto foi comtemplado com o prêmio FEBIC, e irá participar da Feira Brasileira de Iniciação Científica, que acontecerá em setembro em Joinville (SC). Além disso, o projeto granhou também o prêmio de incentivo À ciência FETECMS, ganhando a oportunidade de participar, com tudo pago, da Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul. Ganhou também o Prêmio Destaque Unidades da Federação representando seu estado.

Olho d’água de Conceição Evaristo e o senso identitário

As alunas do Sesi Anísio Teixeira, de Vitória da Conquista (BA), Isabela Silva e Rebeca Ventura montaram um Clube do Livro na sua escola para analisar e debater o livro Olho d’água, da autora Conceição Evaristo. O projeto viu que o Clube do Livro é uma ferramenta a ser utilizada para a construção de diálogo, influenciado a criação de uma vida literária e formar cidadãos críticos. “Os alunos exploram a obra sobre ângulos muito distintos, associando a obra a temas como maternidade, marginalização e resistência cultural”, disseram as alunas. A leitura impactou o senso de identidade dos alunos, promovendo a leitura de autores negros e debates sobre temas nacionais, tornando os estudantes leitores ativos e críticos.

Microscópio de baixo custo para aulas de biologia

A falta de equipamentos para aulas práticas, dificultando o aprendizado de estudantes, motivou os alunos Antônio Talyson e Maria Eduarda, do Rio Grande do Norte, a projetaram um microscópio de baixo custo. Para eles, isso representa uma oportunidade valiosa para democratizar o acesso à educação científica de qualidade, levando materiais para escolas que dispõem de poucos recursos, aumentando o interesse dos alunos e contribuindo na aprendizagem. “O projeto é feito com madeira MDF, cano de PVC, parafuso, paquímetro e uma pequena luz de led que desmontamos”, disse Maria Eduarda.

A larva que come plástico

Diante da sociedade atual, que é altamente consumista e refém do plástico, que se tornou fonte de graves problemas ambientais, muitos cientistas estão buscando soluções. As alunas Maria Luiza Medeiros e Lavinia Patrícia de Almeida analisaram a dieta da larva Tenebrio molitor que pode ser usada na decomposição do plástico. Após esse estudo, elas observaram que a larva tem capacidade significativa de reduzir diferentes resíduos plásticos, surgindo como uma potencial solução para este poluente. “A gente trabalhou com plástico PET, fibra de rede, glitter, que é um microplástico, e o isopor”, explicaram as alunas.

Extrato vegetal como alternativa aos agroquímicos no controle de fungo

O Brasil é um dos grandes produtores de banana no mundo, contudo existem dificuldades na comercialização porque o fruto de banana é altamente perecível e predisposto a sérias perdas em pós-colheita, principalmente devido ao estado impróprio de maturação do fruto, às práticas inadequadas de colheita e armazenamento e às doenças em pós-colheita. Diante disso, as alunas Fernanda Gracieli e Dionéia Schauren analisaram o uso de alguns extratos vegetais para combater o crescimento de fungos no apodrecimento de bananas. Após todos os testes, as alunas chegaram a extratos que controlaram até 60% do crescimento micelial. Este projeto ganhou vários prêmios, dentre eles o Prêmio de Incentivo à Inovação Tecnológica MOSTRATEC, recebendo credenciais para participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia em Novo Hamburgo (RS). Na premiação geral, o projeto ficou em 2º lugar dentre os projetos da área de ciências biológicas.

Para saber mais sobre os projetos apresentados na Febrace, acesse o site da feira neste link.

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Com informações da Assessoria de Comunicação da Febrace


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