Atividades imersivas aproximam meninas do universo da ciência e da pesquisa

Projeto desenvolvido pela USP em Ribeirão Preto é voltado a alunas do ensino fundamental e conta com atividades teóricas e práticas sobre diferentes áreas da biologia

 31/03/2025 - Publicado há 1 ano
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Duas meninas negras manipulam instrumentos de laboratório: microscópio, Becker, balões de Erlenmeyer e tubos de ensaio.
Projeto busca ampliar a participação feminina na ciência – Foto: Freepik

O projeto Pronta pra ser Cientista, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, abre neste ano 30 vagas para alunas do Ensino Fundamental 2 interessadas em vivenciar a experiência de ser cientista. Com encontros teórico-práticos realizados aos sábados pela manhã, ao longo de um mês, sempre em maio, o projeto proporcionará atividades como estudos sobre biodiversidade, imersão em botânica, passeio pela Floresta da USP e experimentos que revelam a vida invisível ao olho nu.

As interessadas devem ficar atentas às inscrições que devem feitas entre 1º e 19 de abril, neste link. As vagas serão divididas em três categorias: dez para ampla concorrência, dez para estudantes de escolas públicas e dez para estudantes pretas, pardas e indígenas (PPI). A divulgação das selecionadas será no dia 23 abril e o prazo para confirmar a participação vai até 25 do mesmo mês. As atividades acontecem nos dias 10, 17, 24 e 31 de maio, presencialmente, no Departamento de Biologia da FFCLRP.

Transformando o futuro da ciência

Criado em 2019 e em atividade desde 2020, o Pronta pra ser Cientista surgiu da necessidade de aumentar a presença feminina nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês). “O projeto foi inspirado na questão da inserção profissional de poucas mulheres nessas áreas”, explica a coordenadora do projeto, professora Annie Schmaltz Hsiou.

A professora Annie Schmaltz Hsiou é uma mulher com feições asiáticas; tem cabelo longo e liso, veste uma regata preta e uma correntinha.
Annie Schmaltz Hsiou – Foto: Arquivo pessoal

Ainda segundo a professora, a iniciativa é para desmistificar a ideia de que apenas os homens têm habilidades inatas para essas áreas do conhecimento. “Nosso projeto é embasado na questão do mito existente do talento inato, que apenas os homens nasceriam com certos talentos e habilidades nas áreas de STEM”, afirma Annie. Ela também destaca que, historicamente, as mulheres foram relegadas “a um espaço mais privado, do cuidado. Por isso, um maior grupo de pesquisadoras e cientistas mulheres é encontrado na área da saúde”. Assim, o projeto “vem para quebrar os paradigmas da sociedade atual, de que as meninas são criadas desde pequenas para cuidar, servir e casar”.

O Pronta pra ser Cientista, como outros que buscam aumentar a presença feminina na ciência, tem como eixo central o debate sobre gênero e ciência. “O principal objetivo é promover e divulgar pesquisas realizadas por mulheres docentes e pesquisadoras em seus respectivos espaços acadêmicos e científicos, ampliando a visibilidade de seus trabalhos e despertando o interesse das meninas nessas subáreas”, reforça a coordenadora.

Para isso, as participantes têm contato com pesquisadoras que organizam atividades voltadas para o desenvolvimento de habilidades científicas fundamentais. “Elas têm liberdade para estruturar seus planos de atividades de modo a proporcionar um maior contato das estudantes com metodologias científicas e incentivar o desenvolvimento de habilidades essenciais a uma cientista, como observação, questionamento e elaboração de protocolos básicos para pesquisas dentro de suas respectivas áreas de atuação”, detalha Annie.

Logo do projeto de extensão
Inscrições para o projeto Pronta pra ser Cientista vão de 1º a 19 de abril – Imagem: @prontaprasercientista – Instagram

Os encontros do Pronta pra ser Cientista são realizados anualmente, no mês de maio. Ao longo do programa, as participantes são imersas em um tema guarda-chuva sobre biodiversidade. “No primeiro dia, além da abertura, as estudantes já têm contato com a biodiversidade macroscópica, principalmente animais vertebrados e invertebrados. No segundo dia, começamos uma imersão na botânica, com conhecimento sobre estruturas florais e como estudamos plantas. No terceiro dia, temos um passeio pela floresta da USP, seguido por trabalhos em grupo para as meninas realizarem a partir do contato com a floresta e um experimento-surpresa, que é a visualização da vida invisível. No último dia, organizamos os dados levantados na floresta, que podem variar muito conforme a observação das alunas”, descreve a professora.

Com essa estrutura, o Pronta pra ser Cientista fortalece o interesse das meninas na ciência e amplia as possibilidades de futuro para muitas delas. “O projeto é uma oportunidade para meninas verem que podem, sim, ser cientistas e ocupar espaços que historicamente lhes foram negados.”

Conheça mais sobre o projeto no Instagram @prontaprasercientista.

*Estagiária sob supervisão de Rose Talamone


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