A extrema direita vem avançando em todo o mundo, como constata nesta sua coluna o professor Alberto do Amaral, que começa pela definição do termo: “A extrema direita constitui uma forma de radicalização de certos pontos de vista do espectro político, em que preponderam, por exemplo, as características do nacionalismo e do combate à imigração”. Ele observa, contudo, que esse debate remete a um contexto mais amplo, ou seja, aos conceitos de direita e esquerda, que têm um longo histórico na aventura humana na terra, a começar pelo espaço ocupado pelas bancadas dos girondinos (que se sentavam à direita) e dos jacobinos (que se situavam à esquerda) no Parlamento francês à época da Revolução Francesa, no final do século 18. No século 19, o debate passou a envolver o socialismo utópico e o socialismo científico, com direita e esquerda digladiando-se em torno do conceito da posse dos meios de produção. Após a Segunda Guerra Mundial, o debate entre direita e esquerda deslocou-se para um novo quadro político depois da derrota dos nazistas naquele confronto.
“O que nós estamos assistindo no momento”, diz o colunista, “é o surgimento de partidos de extrema direita que defendem o nacionalismo, o combate à imigração, redefinem a forma de organização do espaço político, o que constitui um grande risco à democracia”. Mas como a extrema direita pode afetar a democracia? “A extrema direita combate algumas ideias centrais da democracia, combate as chamadas liberdades democráticas: a liberdade de expressão, de assembleia, de organização política.” Ainda de acordo com o colunista, a extrema direita tem como seus advogados alguns partidos europeus modernos, que guardam uma relação muito próxima com a herança nazista e guardam uma herança de combate aos imigrantes, a defesa intransigente do nacionalismo e uma forma de combate às chamadas liberdades, que devem estruturar a vida democrática no mundo contemporâneo.
Um Olhar sobre o Mundo
A coluna Um Olhar sobre o Mundo, com o professor Alberto Amaral, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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