O governo anunciou medidas para conter a inflação de alimentos e redução de cargas tributárias sobre diferentes produtos, como carne, café, açúcar, milho, óleo de cozinha e azeite. Para José Luiz Portella, pós-doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, além de interferir na realidade econômica do País, essa decisão terá um pequeno impacto. “Ao zerar as alíquotas, você permite que o que for importado venha mais barato. Mas isso nunca funcionou e eu acredito que não vai funcionar. Isso é um comentário que você vê de todos os economistas. Um esforço que mexe com a cadeia produtiva e que não vai chegar perto do resultado necessário.”
Portella destaca uma política alternativa desenvolvida no Brasil e que se iniciou no governo do Juscelino Kubitschek, os estoques reguladores. Essa política se baseia em fortalecer a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), com um estoque de alimentos comprados a preços baixos, para que, quando os preços subirem, esses produtos sejam vendidos, ajudando a evitar aumentos exagerados.
Outra possibilidade seria abaixar os impostos na importação de insumos, assim os empresários brasileiros que importam fertilizantes teriam o custo de produção diminuído. Mas existiria o risco desses empresários não abaixarem o preço final, apostando somente na margem de lucro.
O especialista comenta a importância de se ter um plano nacional de desenvolvimento do País para os próximos anos; mesmo sendo o maior produtor mundial de muitas commodities, o Brasil não tem a capacidade de armazenar tudo o que produz. “O governo está numa atitude meio desesperada. Infelizmente, tentando de qualquer jeito, não é possível baixar preço com medidas. Se conseguisse, qualquer regime autoritário no mundo, países socialistas ou mesmo países de direita, que têm regimes autoritários, controlariam o preço. Eu acho que isso não vai funcionar na medida que precisa”.
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