O que se pode esperar da COP 30?

José Eli da Veiga se mostra um tanto quanto descrente em relação aos resultados positivos que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas possa trazer

 06/02/2025 - Publicado há 1 ano

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A coluna Sustentáculos, em sua primeira edição do ano, elegeu como tema um assunto que deve ser recorrente ao longo de 2025: a COP 30, a ser realizada entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém. De cara, o professor José Eli da Veiga pergunta se ela poderia ter um resultado expressivo, que se assemelhasse, por exemplo, ao Acordo de Paris. “Eu tenho a impressão que uma coisa que realmente poderia ser uma grande mudança é se fosse aprovado na COP o início de um processo de revisão da própria convenção do clima. Porque o problema todo está em que a convenção do clima foi feita às pressas, num clima muito excepcional, que foi 1992, foi logo depois da queda do Muro e a conjuntura internacional era totalmente diferente da atual. Então, minha impressão é de que talvez isso fosse realmente uma mudança, mas acho muito, muito difícil que isso possa acontecer.”

E por que seria difícil acontecer? Eli da Veiga explica seu ponto de vista: “Primeiro é porque precisaria de muita audácia. Competência não falta, porque o Itamaraty está na presidência, inclusive da COP, mas também com a assessoria que vai ter, o pessoal do Ministério do Meio Ambiente etc. Eu tenho impressão que é gente muito competente para tocar essa COP e conseguir ter resultado. Mas eu não estou convencido de que eles achem possível, realista, propor uma revisão da convenção. E o problema todo é que é muito difícil imaginar que vá sair alguma coisa de um processo em que todo ano se reúne todos os países do mundo, em algum lugar, para fazer uma discussão sobre coisas que são muito difíceis – por exemplo, abandonar o petróleo, ou mesmo que seja ir reduzindo aos poucos o uso do petróleo ou de outros combustíveis fósseis”. O colunista entende que seria mais importante que essas reuniões com todos os países do mundo não fossem anuais “e que entre duas reuniões desse tipo houvesse algum tipo de mecanismo que fizesse com que os mais responsáveis se entendessem. Na verdade, 80% das emissões de gases de efeito estufa saem de 57 empresas e essas 57 empresas estão presentes em, no máximo, 30 países. Então precisaria de um mecanismo ágil, em que esses 30 países fossem negociando para conseguir se entender e obter resultados”, conclui.


Sustentáculos
A coluna Sustentáculos, com o professor José Eli da Veiga, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção na Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

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