USP leva ações de saúde, educação e cidadania a município do Paraná

Pela primeira vez a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto coordenou uma equipe no Projeto Rondon, iniciativa que contou com o desenvolvimento de atividades com impacto direto na comunidade local

 Publicado: 06/05/2026 às 14:39
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Grupo de jovens e adultos posa em frente a uma grande bandeira do Brasil estendida na fachada de um prédio. Ao centro, um homem fardado do Exército está ao lado dos participantes, que vestem camisetas verdes e usam crachás.
Início da Operação Pé Vermelho com a chegada da equipe da EEFERP ao Paraná – Foto: Arquivo pessoal/Átila Alexandre Trapé

A participação da USP em ações de extensão ganhou mais um capítulo no início de 2026 com a atuação de uma equipe da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP no Projeto Rondon. Pela primeira vez, a unidade coordenou uma equipe na iniciativa, que integrou a Operação Pé Vermelho, durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano, no Estado do Paraná, no município de Rio Branco do Ivaí.

Coordenado pelo professor Átila Alexandre Trapé, da EEFERP, o grupo também contou com a coordenação adjunta da professora Marina Simões Flório Ferreira Bertagnoli, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), e com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação de várias unidades da USP. 

De acordo com Trapé, a proposta central foi promover a troca de saberes entre a Universidade e comunidade, com foco na redução de desigualdades e no fortalecimento da cidadania. “Levamos conhecimentos produzidos na USP, mas também aprendemos muito com a realidade e os saberes locais. As ações foram pensadas para atender demandas específicas do município, identificadas previamente durante uma visita precursora realizada em outubro de 2025.”

Atuação em múltiplas áreas

A equipe da USP integrou a chamada Operação A do Projeto Rondon, responsável por desenvolver atividades nas áreas de saúde, cultura, educação, direitos humanos e justiça. Durante a missão, foram realizadas oficinas, campanhas de saúde pública, capacitações e ações comunitárias tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais do município.

Entre as iniciativas, destacaram-se atividades de orientação sobre doenças crônicas, aferição de pressão arterial, monitoramento de glicemia, ações de promoção da saúde da mulher, oficinas sobre inclusão, cidadania e comunicação não violenta, além de práticas voltadas à integração comunitária, como atividades culturais e intergeracionais.

Para Marina, o processo de preparação foi fundamental para o sucesso das ações. “A partir das informações coletadas na viagem precursora, conseguimos adaptar e customizar todas as oficinas de acordo com a realidade local. Foi um trabalho intenso de planejamento e produção de materiais para atender às necessidades específicas da população.”

O envolvimento da comunidade local foi expressivo. Ao todo, foram registrados 1.871 atendimentos em um município com cerca de 3.500 habitantes. A estratégia de levar atividades também às áreas rurais contribuiu para ampliar o alcance das ações e fortalecer o vínculo com os moradores.

 Grupo grande de pessoas, incluindo adultos e crianças, posa sorrindo para uma foto ao ar livre na entrada de uma trilha ecológica.
Inauguração da trilha ecológica desenvolvida pela equipe junto com a população – Foto: Arquivo pessoal/Átila Alexandre Trapé

Integração e impacto social

Além dos atendimentos diretos, a operação também deixou iniciativas estruturais para a comunidade. Um exemplo foi a criação de uma trilha ecológica, idealizada a partir da visita precursora e inaugurada durante a missão, ampliando espaços de convivência e incentivo à atividade física.

Momentos de integração, como campanhas públicas, eventos comunitários e um show de talentos com participação de moradores, marcaram a relação entre a equipe da Universidade e a população local. “No fim, nós aprendemos mais do que ensinamos, por isso destaco muito esta ideia de troca de saberes. Seguramente, todos os membros da nossa equipe voltaram bem diferentes do que foram, com uma bagagem de valor inestimável”, diz Trapé

Estudantes de áreas como educação física, enfermagem, farmácia e psicologia trabalharam de forma integrada, contribuindo com diferentes perspectivas para a resolução de problemas reais. A atuação interdisciplinar foi outro ponto central da experiência, segundo Marina. “Nós percebemos que o conhecimento isolado não é suficiente. É na articulação entre diferentes áreas que conseguimos respostas mais completas.”

Formação acadêmica e transformação pessoal

Para os estudantes participantes, a vivência no Projeto Rondon representou uma experiência de formação que vai além da sala de aula. O doutorando da EEFERP, Jean Lucas Rosa, destaca o impacto pessoal da participação. “Foi uma verdadeira transformação. Conhecer de perto realidades tão diferentes amplia nossa visão sobre o papel social da universidade.”

Já a doutoranda Joicy Ferreira da Silva Ramos, também da EEFERP, ressalta a importância do contato direto com a população. “Na teoria, estudamos essas realidades, mas vivenciar é completamente diferente. Estar no território, ouvir as pessoas e entender suas necessidades mudam nossa forma de pensar e agir.”

O engajamento de públicos específicos, como adolescentes, e a adaptação das propostas às condições locais estiveram entre os desafios enfrentados pela equipe. Além disso, Marina aponta para situações de vulnerabilidade social, que também exigiram atenção. “Nem sempre o que aprendemos na teoria se aplica diretamente. É preciso compreender o contexto antes de propor qualquer intervenção.”

Arte gráfica com fundo azul apresenta a equipe da “Operação Pé Vermelho”, do Projeto Rondon. No topo, há o título da operação e o logotipo do projeto. Abaixo, fotos individuais em estilo polaroid mostram os integrantes, todos usando camisetas amarelas, com seus nomes e áreas de atuação.
Equipe completa da EEFERP que participou do Projeto Rondon – Foto: Arquivo pessoal/Átila Alexandre Trapé

 

Extensão universitária e compromisso social

Criado pelo Governo Federal e coordenado pelo Ministério da Defesa, o Projeto Rondon tem como objetivo promover cidadania, inclusão social e desenvolvimento sustentável por meio da atuação de estudantes universitários em diferentes regiões do País.

A participação da USP na iniciativa reforça o papel da extensão universitária como um dos pilares da formação acadêmica. Para Trapé, experiências como essa aproximam a Universidade da sociedade e ampliam o impacto do conhecimento produzido. “O Projeto Rondon é uma oportunidade concreta de fazer isso, ao mesmo tempo em que forma profissionais mais conscientes e preparados para a realidade brasileira.”

*Estagiário sob supervisão de Rose Talamone


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