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O efeito borboleta geopolítico: como conflitos internacionais impactam a economia brasileira
A escalada de conflitos no Oriente Médio impacta quase que de imediato diversos setores da economia, gerando um efeito em cadeia
O aumento das tensões entre Irã, Israel, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio, com o surgimento de enfrentamentos bélicos, gera inúmeras discussões e uma das mais cruciais para o restante do mundo é a economia. O primeiro impacto noticiado é no preço do petróleo, considerando que o Irã detém cerca de 9% das reservas globais do produto, de acordo com dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e 20% de todo o petróleo, além de 20% de gás natural comercializado do mundo, e atravessa o Estreito de Ormuz na região, segundo a Agência Internacional de Energia. Essa mudança gera um efeito em cadeia nos mercados, atingindo depois os setores de energia, transporte e, no final, produtos para a população.
Maria Antonieta Lins, professora do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo e especialista em Economia Política Internacional, explica o impacto do conflito nas economias nacionais. “Ele tem um impacto monstruoso sobre o mercado internacional, sendo o primeiro e mais direto no preço dos barris de petróleo. Os EUA, por exemplo, têm a alternativa de pegar essa commodity da Venezuela, mas os europeus já realizaram a liberação de estoques emergenciais. Também afeta os preços de transportes aéreos, fertilizantes, o agronegócio no geral e as importações e exportações dos países e, além disso, causa volatilidade nos mercados de câmbio e nas bolsas de valores.”
Maria Antonieta Lins – Foto: Arquivo pessoal
Impacto na economia e na sociedade brasileira
“O impacto na economia brasileira não é uniforme, tem diferentes canais de transmissão, e o Brasil, embora seja um grande produtor de petróleo, não é um refinador, então o País necessita dessa importação. Os primeiros afetados são os preços da energia, do transporte, ainda mais considerando a extensa malha rodoviária do território, e as exportações comerciais para o Irã, que é o maior comprador de milho e um grande importador de soja também. Os movimentos do mercado financeiro, como a bolsa, também sofrem com a incerteza e as oscilações, impactando diretamente o preço das ações da Petrobras”, explica a professora.
As empresas, principalmente do setor produtivo, sentem os efeitos por causa do aumento dos custos de transporte, tendo que modificar suas logísticas de produção e distribuição de bens e serviços. Esse efeito dominó reverbera para diversos outros setores da economia, chegando até os consumidores, a população, que é obrigada a pagar preços mais elevados devido à intensa pressão inflacionária.
O Copom na busca de alternativas
O Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado do Banco Central (BC) responsável por estabelecer as diretrizes da política monetária e, consequentemente, definir a taxa básica de juros (Selic) que norteia as operações entre bancos e a autoridade monetária, esteve reunido nos dias 17 e 18 de março para discutir a redução da Selic. Antes de ter início o conflito no Oriente Médio, havia uma expectativa de redução considerável da taxa Selic, fixada em 15% a.a. desde junho de 2025. A redução anunciada de 0,25% evidenciou a cautela do BC em relação às incertezas criadas pela amplitude do choque de preços originado pela guerra, especialmente em razão da elevação da cotação internacional do petróleo.
“Na verdade, o menos importante é saber o valor da diminuição, mas o que o Banco Central vai determinar daqui para a frente e o que o Copom indicará como os próximos passos da política monetária. A guerra ainda não possui previsão de fim, a aposta americana é de que seria curta, mas isso já está completamente descartado. Estamos na terceira semana de conflito, então a cautela para prosseguir é a medida mais provável”, finaliza Maria Antonieta.
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