Yoshiko Wakabayashi recebe título de Professora Emérita por trajetória na ciência da computação teórica

Pioneira na área, Yoshiko Wakabayashi construiu uma trajetória de grande impacto científico e formou gerações de novos pesquisadores no Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP

 Publicado: 19/03/2026 às 7:40     Atualizado: 20/03/2026 às 19:01

Texto: Erika Yamamoto

[A partir da esquerda] O vice-diretor do IME, Fábio Armando Tal, o diretor Ronaldo Fumio Hashimoto, o chefe do Departamento de Ciência da Computação, Alan Mitchell Durham e a Professora Emérita Yoshiko Wakabayashi – Foto: Leonor Shiroma/USP Imagens

Na sessão solene da Congregação, realizada no dia 13 de março, o Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) concedeu o título de Professora Emérita a Yoshiko Wakabayashi, por sua contribuição científica, acadêmica e institucional ao IME e à matemática brasileira.

“Esse título tem um valor histórico. A Yoshiko amplia a presença feminina na nossa galeria de Professores Eméritos do IME e isso mostra o papel fundamental das mulheres na construção e na excelência acadêmica do nosso onstituto e da nossa universidade. Sua dedicação é uma inspiração para todos nós”, afirmou o diretor do IME, Ronaldo Fumio Hashimoto, que foi orientando de Yoshiko no curso de mestrado.

O vice-diretor Fábio Armando Tal chamou a atenção para sua personalidade agregadora, gentil e prestativa: “Yoshiko tem uma visão muito clara da Universidade, passando por todos os seus aspectos, todas as atividades desenvolvidas, e também um grande respeito pelas pessoas e a percepção de como cada uma pode contribuir”.

Professora titular sênior do Departamento de Ciência da Computação, Yoshiko Wakabayashi construiu uma carreira de décadas de dedicação à pesquisa, ao ensino e à formação de novos cientistas. Suas pesquisas concentram-se, principalmente, em otimização combinatória e teoria dos grafos, com contribuições em áreas como combinatória poliédrica, clustering e algoritmos de aproximação para problemas de empacotamento.

“Yoshiko é uma pioneira e isso não é uma tarefa fácil. Essa homenagem é um agradecimento à sua liderança, ao seu pioneirismo, à sua dedicação como chefe de departamento, orientadora, coordenadora do nosso programa de pós-graduação e pelos 50 anos de dedicação à docência”, declarou o chefe do Departamento de Ciência da Computação, Alan Mitchell Durham.

A saudação à homenageada foi feita pelo professor do Instituto de Computação da Unicamp, Flávio Keidi Miyazawa, que foi o segundo aluno de doutorado orientado pela emérita. Miyazawa falou de sua trajetória acadêmica e da importância de sua atuação tanto na pesquisa quanto na formação de novos pesquisadores. Os docentes do Departamento de Ciência da Computação, Cristina Gomes Fernandes e Carlos Eduardo Ferreira, também prestaram homenagem à Professora Emérita.

O retrato de Yoshiko Wakabayashi passará a integrar a galeria dos Professores Eméritos do IME, formada por Waldyr Muniz Oliva, Imre Simon, Siang Wun Song, Antonio Galves, Ivan Chestakov, Pedro Alberto Morettin, Carlos Alberto de Bragança Pereira, Francisco César Polcino Milies, Carlos Alberto Barbosa Dantas, Ofélia Teresa Alas e, mais recentemente, Pablo Augusto Ferrari.

A cerimônia de outorga do título foi realizada no auditório Jacy Monteiro do IME, no dia 13 de março, e contou com a presença de docentes, servidores, amigos, familiares e ex-alunos da Professora Emérita – Foto: Leonor Shiroma/USP Imagens

50 anos de dedicação

“Receber uma homenagem como esta é algo que não esperamos e, por isso, quando ela vem, é muito emocionante. Nos últimos dias, pensando no que deveria dizer nesta cerimônia, acabei refletindo muito sobre o que me levou a essa carreira, o que me fez escolher esse caminho. Nessa retrospectiva, lembrei de momentos que não pareciam muito importantes na hora, mas que foram muito importantes para a construção dessa trajetória”, afirmou a Professora Emérita.

Uma figura crucial nessa história foi sua professora de matemática do ginásio que, com aulas simples e muito bem explicadas, despertou nela o interesse pela área. “Até hoje me lembro do nome completo dela e da maneira como tornava a matemática simples. Eu me lembro da satisfação que eu sentia ao resolver um problema de matemática”, contou.

Yoshiko pontuou três grandes decisões que marcaram sua vida e sua carreira. A primeira delas foi quando cursava o primeiro ano de graduação na USP e ganhou uma bolsa para estudar nos Estados Unidos, no final da década de 1970. Ela trancou o curso e, apesar de atrasar sua formação na licenciatura, teve a oportunidade de estudar matemática avançada e ter a certeza de que essa era a sua vocação.

Após a formatura, a jovem professora de matemática decidiu não se dedicar integralmente à nova carreira e preferiu lecionar apenas 20 horas semanais, para não ter que abandonar a USP e continuar seus estudos na pós-graduação. Cerca de dois anos depois, o professor Valdemar Waingort Setzer, então chefe de Departamento de Matemática Aplicada, aconselhou-a a escolher entre o emprego como professora e a carreira acadêmica, que exigiria uma dedicação maior. Nessa mesma época, Yoshiko tinha sido aprovada em um concurso de efetivação, que lhe daria uma vaga permanente como professora da rede pública. Com as palavras do professor Valdemar em mente, ela decidiu não aceitar a vaga permanente e se dedicar exclusivamente ao mestrado. Essa foi a terceira decisão determinante para sua trajetória profissional.

“Foram vários lances de sorte – também alguns de azar – que acabaram conspirando para que, no final, tudo desse certo. Sempre fui cercada de pessoas muito boas, que me ajudaram nessa caminhada. Às vezes as pessoas me perguntam se, como mulher, encontrei dificuldades, mas a verdade é que na maior parte do tempo tive muita ajuda, muitas pessoas me apoiando. Eu agradeço muito a todos os que estiveram comigo nesta caminhada. Essa é uma obra coletiva e, sem a ajuda de todos, nada disso seria possível”, concluiu a professora.

A homenageada

Nascida em Lavínia, filha de imigrantes japoneses, Yoshiko Wakabayashi mostrou um interesse pela matemática desde a infância. Após concluir o curso científico, em Araçatuba, Yoshiko mudou-se para a capital paulista para cursar a graduação em Licenciatura em Matemática, no Instituto de Matemática e Estatística da USP, onde também concluiu o mestrado em Matemática Aplicada, sob orientação de Imre Simon. Em 1986, obteve o título de doutora em Matemática Aplicada pela Universidade de Augsburg, na Alemanha, sob orientação de Martin Grötschel.

Iniciou a carreira docente no IME em 1975, antes mesmo de concluir o mestrado, como auxiliar de ensino do Departamento de Matemática Aplicada. Em 1987, ingressou no recém-criado Departamento de Ciências da Computação, no qual desempenhou também vários cargos administrativos, inclusive a de chefe de Departamento.

Ao longo de sua carreira, orientou 15 teses de doutorado e 20 dissertações de mestrado, contribuindo para a formação de diversas gerações de pesquisadores. Entre os reconhecimentos recebidos, destacam-se a admissão na Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe Comendador, concedida em 2010 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; e o Prêmio de Mérito Científico da Sociedade Brasileira de Computação, recebido em 2020. 

A Professora Emérita do IME também é membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo desde 2012, e da Academia Brasileira de Ciências desde 2019.


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