As diferenças entre o Carnaval de rua organizado pela população e a tentativa de “domesticá-lo” conforme os ditames de interesses econômicos podem explicar, na opinião de Raquel Rolnik, os episódios de tensão ocorridos durante a Festa de Momo em São Paulo. “É a tensão entre um Carnaval auto-organizado pelos blocos, que são enraizados em locais específicos, em bairros, que têm história, que são marcados pela espontaneidade, pelo caráter comunitário, pela existência de um espaço auto-organizado pela própria população de transgressão, de ocupação de espaço, de ocupação da rua, e, na medida em que isso foi atraindo mais gente, foi atraindo mais foliões, inclusive turistas, para poder aproveitar e poder curtir esse momento na cidade, isso acabou se transformando num mega evento corporativo, com mega blocos, em que a questão fundamental é a grana que vai rolar, o lucro que vai rolar das corporações, inclusive patrocinadores envolvidos, e não o elemento central, que é essa auto ocupação da cidade pelos corpos na folia”, argumenta ela, antes de concluir: “Um Carnaval totalmente descentralizado, tranquilo, que apoie as iniciativas dos blocos, é um Carnaval totalmente possível, e é o que devemos ansiar para 2027 diante da debacle do Carnaval de 2026”.
Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar quinzenalmente quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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