Conflitos em campo e ecos históricos entre Brasil e Portugal

Guilherme Wisnik comenta sobre Vinícius Júnior e o enfrentamento ao racismo no futebol europeu, e a relação do tema com a exposição “Complexo Brasil”, em Lisboa

 26/02/2026 - Publicado há 5 meses
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Os recorrentes ataques racistas contra Vinícius Júnior evidenciam não apenas a vulnerabilidade de jogadores negros no futebol europeu, mas também a coragem do atleta ao enfrentar publicamente essas agressões. Na coluna desta semana, o professor Guilherme Wisnik comenta a postura firme do atleta, mesmo sabendo que isso poderia prejudicar sua carreira, torná-lo alvo constante de hostilidade e influenciar injustamente premiações e reconhecimentos. Sua atitude o transformou simultaneamente em vítima e símbolo de resistência contra o racismo estrutural presente no esporte, diferentemente de muitos jogadores que optam pelo silêncio.

O episódio mais recente ocorreu em Lisboa, durante partida entre Benfica e Real Madrid, quando uma ofensa racista teria partido de um jogador adversário dentro de campo. O caso ganhou maior repercussão pelo apoio público de Kylian Mbappé a Vini, contrastando com as declarações críticas do técnico José Mourinho. Parte das críticas tentou deslocar o foco da injúria racial para a comemoração do jogador brasileiro, como se sua dança justificasse ou relativizasse o ataque — argumento que revela o “ponto cego” de quem evita discutir o racismo em si.

O debate se conecta ainda à exposição Complexo Brasil, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, que tem Guilherme Wisnik como um dos curadores, que abordou tensões históricas da relação colonial entre Brasil e Portugal. A mostra já provocava reflexões sobre questões raciais contemporâneas, inclusive ao destacar a idolatria de crianças africanas por Vini Júnior. De forma simbólica, o caso ocorrido em Lisboa trouxe para o campo esportivo a mesma ferida histórica discutida na arte, tornando explícitas posições antes veladas e exigindo um posicionamento claro de atletas, dirigentes e sociedade sobre o racismo no futebol.

Espaço em Obra

Com o Prof. Guilherme Wisnik

A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar  quinzenalmente quinta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP,  Jornal da USP e TV USP.


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