Boletim de astronomia explica de onde vêm as pontas das estrelas

Produzido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, boletim “Dia e Noite com as Estrelas” tem nova edição disponível para download gratuito 

 15/01/2026 - Publicado há 6 meses
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Visão do céu noturno cheio de estrelas e com prédios ao fundo
Boletim Dia e Noite com as Estrelas informa que as pontas são resultados de como a luz das estrelas chega até nós – Foto: Wirestock/Freepik


A edição de dezembro do b
oletim Dia e Noite com as Estrelas, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, presta homenagem trazendo a última matéria realizada pela colaboradora Ana Faria (Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação  da USP em São Carlos), que faleceu no dia 22 de dezembro em decorrência de um acidente de carro. No artigo, Do céu ao papel:de onde vêm as pontas das estrelas?, ela explica porque os desenhos clássicos são cheios de pontinhos quando, na realidade, as estrelas são enormes esferas de gás extremamente quente, brilhando por causa das reações nucleares no seu interior. A publicação está disponível para download gratuito neste link

“A explicação está na forma como a luz das estrelas chega até nós. Quando vemos algo muito distante e muito brilhante, o caminho que essa luz percorre desde o espaço até o nosso olho acaba alterando a aparência do que vemos”, informa no texto. Segundo ela, a luz de uma estrela sofre um fenômeno chamado difração, que a dispersa (espalha) ao passar por fendas e bordas. “No olho humano, em particular, a luz entra pela pupila e pode sofrer difração ao passar por bordas como cílios, pálpebras e por estruturas internas do cristalino, além de ser afetada por imperfeições do sistema visual. Isso faz com que pontos de luz intensos pareçam rodeados por pequenos raios ou pontas. É uma ilusão criada pelo nosso próprio sistema visual”, justifica.

Ela acrescenta que, nos telescópios, o efeito também acontece, mas de um jeito ainda mais visível. “Os instrumentos que usamos para observar o céu têm estruturas físicas como as hastes que seguram o espelho secundário que interceptam parte da luz e geram padrões de difração muito marcantes. É por isso que nas fotos do Hubble, por exemplo, as estrelas sempre aparecem com aqueles traços brilhantes superdefinidos conhecidos como ‘spikes’ de difração. Eles não são da estrela e sim um resultado direto da construção do telescópio”..

“O símbolo acabou se fixando muito mais pelo efeito de como percebemos o brilho do que pelo formato real do astro. Ou seja, não desenhamos estrelas com pontas porque elas são assim, mas porque é assim que as vemos a olho nu ou eventualmente registrada por telescópios. “Foi uma mistura de física, percepção e tradição que acabou moldando a forma como representamos algo que, lá no espaço, é completamente diferente”, conclui.

A publicação traz também o artigo Sob o Pacífico: A dinâmica da Placa de Juan de Fuca, de Sora Nishimi (IAG – USP), que escreve sobre o deslocamento dessa placa, localizada no noroeste da América do Norte, na chamada zona de Cascadia. “Formada no fundo do Oceano Pacífico, essa placa oceânica é empurrada em direção ao continente e, por ser mais densa, acaba afundando em direção ao interior do planeta, onde seu material será reciclado. Esse movimento alimenta o vulcanismo da cordilheira das Cascatas e está associado a grandes terremotos que já marcaram a história da região”, afirma. 

Outro destaque é o texto Os sons do universo?!, de Artur Arenque (IAG – USP), abordando o projeto Sonifications — não para capturar sons inexistentes, mas para traduzir dados astronômicos em experiências auditivas. O autor informa que o programa nasceu de uma necessidade urgente: a pandemia havia interrompido um projeto de impressão 3D voltado para pessoas com deficiência visual, isolados em casa, e por isso astrônomos e comunidade perderam o contato físico com modelos táteis de galáxias e nebulosas. Ele conta que a cientista de visualização Kimberly Arcand, do Chandra X-ray Center, viu nessa limitação uma oportunidade, e junto do astrofísico e músico Matt Russo e do engenheiro de som Andrew Santaguida, desenvolveu uma nova forma de acessibilidade: converter radiação eletromagnética em som. “O processo é fascinante”, afirma. 

Completam o boletim as matérias Origem da Radioastronomia, por Suellen Camilo (Instituto de Física da USP), que fala sobre um ramo da astronomia que estuda o Universo através da detecção e análise das ondas de rádio emitidas por planetas, estrelas ou galáxias, entre outros; e Metais de transição na origem da vida, por Leonardo Lacerda (Instituto de Química da USP) sobre esses metais que tiveram um papel fundamental em reações essenciais à vida. 

O boletim

Lançado em setembro de 2020, o boletim Dia e Noite com as Estrelas tem o objetivo de levar a todos os interessados temas de grande relevância na astronomia, em linguagem acessível, como eventos, informações do céu noturno no período correspondente, seção de perguntas e respostas, entre outros tópicos. O boletim é mensal e gratuito. Confira a última edição do boletim neste link. Acesse as edições anteriores clicando aqui. Caso queira recebê-lo diretamente, inscreva-se na lista de transmissão. Mais informações pelo e-mail: contatodncestrelas@gmail.com.


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