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Texto: Thaís Degani Angerami e Simone Colombo*
Um projeto desenvolvido por alunos da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP propõe, por meio da tecnologia de impressão 3D, o desenvolvimento de órteses ortopédicas de baixo custo para crianças com deficiência nos pés, seja devido à má-formação congênita ou a fatores externos.
A pesquisa foi desenvolvida por alunos da EEL que fazem parte do Núcleo de Lorena dos Engenheiros sem Fronteiras (ESF), uma associação internacional que promove o desenvolvimento humano e sustentável através da engenharia social, em parceria com a Associação de Deficientes Físicos de Lorena (Adefil) e apoio e supervisão do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora da Faculdade de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto. “Uma união de forças”, como coloca o professor Humberto Felipe da Silva, docente da EEL à frente do projeto.
A falta de acesso à órtese compromete significativamente a capacidade de locomoção e dificulta a realização de atividades simples como andar, correr e brincar. E isso impacta drasticamente a qualidade de vida das crianças em uma fase essencial para o desenvolvimento social, físico e cognitivo. Contudo, esses equipamentos devem ser personalizados e adaptados às necessidades específicas da criança e, ao mesmo tempo, garantir conforto e eficácia terapêutica com custos acessíveis, principalmente porque, no caso das crianças, há necessidade de substituições periódicas por estarem em fase de desenvolvimento.
A partir disto, o grupo passou a se dedicar, desde 2022, ao aperfeiçoamento técnico da órtese, a disseminação científica do método de fabricação e a otimização do processo de impressão. A proposta das órteses impressas em 3D de baixo custo apresenta a possibilidade de confecção singular e suporte adequado para correção ou compensação das limitações motoras específicas de cada caso com custos reduzidos.
Por meio dessa iniciativa, espera-se não apenas melhorar a qualidade de vida das crianças beneficiadas, mas também ampliar o acesso a tecnologias assistivas, tornando a mobilidade mais inclusiva e acessível para a população de baixa renda.

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O diferencial do projeto está na técnica inovadora criada para coletar as informações e medidas necessárias à construção do modelo 3D de uma órtese. Segundo Vinícius Figueroa, aluno da EEL e diretor de projetos do Núcleo ESF Lorena, o grupo conseguiu desenvolver um método simples, acessível e de baixo custo para essa coleta de dados. “O que nós conseguimos fazer foi obter um método de coleta da informação, ou seja, de coletar os dados para montar o modelo 3D. Esse é o método que faz o diferencial, porque os métodos tradicionais exigem equipamentos mais caros”, explica.
Quem recebeu a primeira órtese produzida durante o projeto foi uma criança de 9 anos que é paciente da Adefil. O grupo fez o mapeamento da perna do menino, produziu o suporte ortopédico sob medida, personalizado com a imagem de um raio, como pedido pela criança, com o objetivo de incentivar o uso contínuo da órtese. Segundo a estudante da escola e presidente do Núcleo ESF Lorena, Marcella Ambrosi Saraiva, “o grupo ainda tem contato com os pais dele para entender se a órtese está servindo, para ter um feedback”, acrescentando que até hoje ele a usa.

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Extensão universitária
“Este projeto mostra a potência da pesquisa transdisciplinar para resolver os problemas da humanidade, em especial as pessoas com deficiência”, salienta a professora Fabiana Faleiros Castro da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), fundadora e líder do Núcleo de Pesquisa e Atenção em Reabilitação Neuropsicomotora (Neurorehab) ao qual o projeto das órteses está vinculado. O projeto conta também com participação do grupo de pesquisa da professora Gabriela Resende, fundadora do Laboratório de Re(H)abilitação e do Desempenho Ocupacional (Labilita) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.
O projeto foi premiado no Seminário de Cultura e Extensão da USP, realizado em junho do ano passado, que destacou as boas práticas e casos de sucesso em ações extensionistas. A iniciativa também foi premiada no Congresso dos Engenheiros Sem Fronteiras do Brasil: ficou em primeiro lugar na categoria projeto de infraestrutura, concorrendo com diversos trabalhos de todo o País. De acordo com Júlia da Silva Peixoto, aluna da EEL USP e diretora de Marketing do Núcleo ESF de Lorena, a colocação se trata de “um complemento muito importante, que além do reconhecimento do trabalho é o reconhecimento da instituição, o que é uma conquista muito importante também”.

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Para a presidente da Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) da EEL, professora Diovana Napoleão, as conquistas mostram a importância das atividades extensionistas que estão sendo realizadas na EEL, tanto na formação dos estudantes quanto no apoio à parte social e científica da Universidade. “Alguns fatos justificam essa importância, como, por exemplo, a integração entre a Universidade e a sociedade, a valorização da EEL como instituição pública, o reconhecimento da importância da inovação e o empreendedorismo e o último, não menos importante, é a possibilidade de aplicar os conhecimentos acadêmicos. A EEL reafirma o compromisso com a extensão universitária, apoiando e incentivando as atividades extensionistas em todas as áreas da formação”, comentou.
Os alunos seguem em busca por novos materiais que unam resistência, flexibilidade e baixo custo, fatores essenciais para o desenvolvimento de órteses funcionais e acessíveis. Além disso, o grupo pretende consolidar o método buscando a patente para a técnica, ampliando a aplicação do projeto e possibilitando que ele seja replicado em outros locais do País.
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* Da Comunicação da Escola de Engenharia de Lorena
























