A pesquisadora ressalta que o achado sobre a evolução da apneia é de grande relevância, pois aponta para um remodelamento para fora, ou excêntrico, na microcirculação das vias aéreas superiores, que ocorre mesmo antes da detecção de marcadores de disfunção endotelial, e um possível turbilhonamento do fluxo do sangue no sono. “Esse processo é particularmente interessante por preservar a luz [espaço interno] dos vasos sanguíneos, uma característica também observada em condições adaptativas como a gravidez e o treinamento físico em atletas”, acrescenta.
Segundo Kristine Fahl, o resultado da pesquisa tem implicações significativas para o tratamento da apneia. “As mudanças na pressão das vias aéreas superiores e a oscilação do fluxo sanguíneo nas paredes das artérias, durante o sono, estão intrinsecamente ligadas a alterações microcirculatórias”, observa. “Isso reforça a urgência, para profissionais de saúde e para a população, de tratar a apneia a fim de mitigar a progressão dessas disfunções e o consequente avanço da doença, prevenindo o surgimento de condições cardiovasculares, como a hipertensão arterial, antes mesmo de se manifestarem”, diz.
Para suprir a atual lacuna científica recomenda-se a elaboração de novos estudos que visem a gerar evidências robustas, sugere Kristine Fahl. “Em um futuro próximo, essas evidências poderão fomentar o desenvolvimento e aprimoramento das políticas públicas de saúde vigentes, além de uma linha de cuidado abrangente para o tratamento dos distúrbios de sono no Sistema Único de Saúde (SUS)”, finaliza.
Participaram do trabalho Kristine Fahl, o professor Luis Ubirajara Sennes, orientador do doutorado, a professora Thais Mauad, coorientadora, ambos da FMUSP. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Participaram da pesquisa o professor Michel Burihan Cahali, da disciplina de Otorrinolaringologia da FMUSP, um dos grupos pioneiros em pesquisas sobre o impacto da parede lateral da faringe na Apneia Obstrutiva do Sono, coordenadas pelos professores Sennes e Cahali, Jôse Mára de Brito e Natália Costa, do Departamento de Patologia, e o professor Heraldo Possolo de Souza, da disciplina de Emergências Clínicas. Também colaboraram os médicos Roney Sampaio, do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da FMUSP e Danielle Dantas, do Departamento de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Mais informações: kfahl@usp.br, com Kristine Fahl
*Estagiária sob orientação de Moisés Dorado























