Educar, informar e divertir são grandes pilares da comunicação pública

A mesa de abertura do “1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas” e os painéis sobre o papel das emissoras na era digital e financiamento estão disponíveis no Canal USP no YouTube

 03/06/2025 - Publicado há 10 meses

Especialistas de 13 países se reuniram nos dias 21 e 22 de maio, na Cidade Universitária da USP, em São Paulo, para discutir os desafios e o futuro das emissoras públicas em nível global. O 1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas foi promovido pela Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP, com apoio da Rádio e TV Cultura, da Fundação Padre Anchieta e da Rede Universitária de Rádios Brasileiras (Rubra).

A abertura do evento contou com a participação do reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior; da vice-reitora, Maria Arminda do Nascimento Arruda; do superintendente de Comunicação Social da Universidade, Eugênio Bucci; do presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, Fábio Magalhães; e da presidente da Rubra, Norma Meireles. Os representantes destacaram o papel estratégico das emissoras públicas na promoção do jornalismo, da cultura e da educação em sociedades democráticas.

Assista à abertura aqui:

O congresso abordou temas centrais como sustentabilidade financeira, independência editorial e o papel das emissoras frente à desinformação e às transformações tecnológicas. Um dos painéis discutiu o papel das emissoras no combate à desinformação na era digital, em um cenário de polarização política e circulação massiva de conteúdos falsos. A mesa, mediada por Marcelo Kischinhevsky, diretor do Núcleo de Rádio e TV da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reuniu representantes de veículos de referência como Anne Herrberg (ARD, Alemanha), Caio Quero (BBC Brasil), Eneas Carlos Pereira (TV Cultura), Jean Lima (EBC) e Ricardo Sandoval-Palos (PBS, EUA).

“Hoje temos um papel importantíssimo nos Estados Unidos, diante da explosão de opiniões travestidas de jornalismo. Nós ficamos no meio disso tudo”, disse Ricardo Sandoval-Palos, editor-público da PBS, ao explicar que “a ameaça vem da extrema direita, que diz que transmitimos opiniões de esquerda. Mas, ano após ano, nossas audiências nos dizem que somos os mais equilibrados na entrega de notícias”. 

Assista à mesa completa aqui:

Outro painel tratou dos desafios do financiamento das emissoras públicas, tema crucial para garantir a autonomia editorial. Com mediação de Eugênio Bucci, participaram Erika Pulley-Hayes (WAMU/NPR, EUA), Fábio Magalhães (TV Cultura) e Pedro Jorge dos Santos Braumann (RTP, Portugal). Foram apresentadas diferentes experiências internacionais de sustentabilidade, como a license fee aplicada no Reino Unido e na Alemanha, o financiamento por doações e verbas federais nos EUA e a contribuição audiovisual vinculada à conta de energia em Portugal.

“Uma fragmentação das audiências está atravessando todos os meios de comunicação social tradicionais”, afirmou Pedro Jorge dos Santos Braumman, da Rádio e Televisão de Portugal (RTP). Para ele, a indústria enfrenta cada vez mais dificuldade de adaptação, “e o mercado passou a ditar as regras”. “A televisão serve fundamentalmente para educar, informar e divertir. E as duas vertentes iniciais, educar e informar, são a missão do serviço público em qualquer parte do mundo”, sumarizou. 

Assista à mesa completa aqui:

Além desses temas, o congresso também promoveu debates sobre inovação tecnológica e ameaças institucionais que cercam os meios públicos de comunicação em diferentes contextos nacionais.

Os vídeos completos das mesas do 1º Congresso Internacional de Emissoras Públicas estão disponíveis no Canal USP.


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