Se não consciente, turismo gera impactos negativos ao meio ambiente

Segundo Eduardo Silva Sant’Anna, práticas socioambientais devem ser exercidas por turistas e empresas de forma coletiva

 25/04/2025 - Publicado há 11 meses
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chapéu do ciência e turismo

Imagem de uma multidão em um local de Veneza.
Foto: Gary Bembridge/Flickr/CC BY 2.0
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Em 2024, o Brasil registrou um recorde de turismo, com mais de 6,6 milhões de turistas estrangeiros, que rendeu cerca de US$ 7,341 bilhões para os bancos nacionais. Além disso, houve um crescimento de 20 milhões de passagens aéreas compradas por brasileiros em viagens domésticas, ou seja, realizadas em território nacional. Entretanto, apesar do lucro econômico, o turismo produz outros amplos impactos, especialmente ambientais, no decorrer de seu processo.

Transporte, resíduos de hotéis, desperdício de alimentos e outras consequências são questões recorrentes na área do turismo, as quais causam graves impactos ao meio ambiente, principalmente à fauna e flora nativa, muitas vezes raras, das regiões consideradas centros turísticos. Dados do Barômetro do Turismo, relatório realizado pela Organização Mundial do Turismo, mostram que o turismo estava em seu ápice até 2019, antes de ser repentinamente interrompido pela pandemia de covid-19. Entretanto, ao fim da emergência sanitária, um crescimento súbito foi visto na atividade turística, que foi responsável por um pico de emissão de gases e poluentes gerados pela procura por transportes e atividades recreativas.

Eduardo Silva Sant’Anna – Foto: Linkedin

Para Eduardo Silva Sant’Anna, doutorando em Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, é de responsabilidade geral  – população e empresas – a priorização de melhores comportamentos e soluções. “Embora as empresas tenham um papel importante na busca por soluções mais sustentáveis, os turistas também influenciam diretamente esse processo”, explica.

Atitude e comportamento

Sant’Anna ressalta que pesquisas comprovam que turistas, mesmo praticando comportamentos sustentáveis no dia a dia, abandonam as práticas durante suas viagens. Para ele, a questão trata-se de atitude e comportamento. Segundo um estudo da Tourism Management, 80% dos turistas negam que suas férias possam ter consequências ambientais significativas. Alguns outros comparam suas atitudes a piores exercidas por outros, além daqueles que veem a viagem como uma oportunidade para se permitir excessos.

Para o doutorando, além de informação, é necessário que as companhias criem alternativas que incentivem boas práticas sustentáveis. “É preciso criar estratégias que incentivem escolhas sustentáveis e engajem todos os agentes do turismo. Mais do que aumentar o número de visitantes, a prioridade deve ser a conservação dos recursos naturais e culturais, garantindo que o turismo seja viável a longo prazo.”

Além disso, o pesquisador enfatiza que as mudanças devem ser fruto de ações coletivas, e não apenas individuais. Para isso, há uma série de escolhas que podem fazer as viagens priorizarem a sustentabilidade de um ecossistema e ao mesmo tempo permitirem a turistas aproveitar sua experiência. Escolher destinos que apoiem práticas sustentáveis e empresas que respeitem o meio ambiente, além de reduzir o desperdício durante a viagem, são comportamentos individuais que geram um impacto real quando coletivamente realizados. “Pequenas escolhas no dia a dia da viagem podem ter um impacto positivo enorme — e garantir que outros viajantes também possam desfrutar desses lugares no futuro”, afirma Sant’Anna.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira


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