Quatro estudantes da Escola Politécnica assassinados pela ditadura militar recebem diploma honorífico

Homenagem faz parte do projeto Diplomação da Resistência, iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e da Pró-Reitoria de Graduação

 31/03/2025 - Publicado há 1 ano     Atualizado: 01/04/2025 às 17:58

Texto: Erika Yamamoto

Arte: Beatriz Haddad*

Com o Auditório Prof. Francisco Romeu Landi lotado, a Escola Politécnica (Poli) realizou, no dia 28 de março, a diplomação honorífica de Lauriberto José Reyes, Luiz Fogaça Balboni, Olavo Hanssen e Manoel José Nunes Mendes de Abreu, estudantes mortos durante a ditadura militar brasileira.

“Normalmente, a cerimônia de diplomação é uma festa, um momento de realização da nossa missão na escola. Esta diplomação honorífica traz um sentimento de pesar, mas tem um significado importante de reparar uma injustiça e honrar a memória desses politécnicos que perderam tragicamente suas vidas lutando contra a ditadura”, afirmou o diretor da Poli, Reinaldo Giudici.

A solenidade integra o projeto Diplomação da Resistência, que prevê conceder diplomas honoríficos de graduação aos 33 estudantes da USP vítimas do período.

“Essa cerimônia é uma reparação simbólica, é um reconhecimento às famílias, é uma tentativa de reparar o irreparável. De uma certa maneira, é tentar preencher essas cadeiras vazias”, pontuou a vice-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda.

Receberam o diploma em nome de seus familiares: Regina Reyes, irmã de Lauriberto José Reyes; Vital Fogaça Balboni, irmão de Luiz Fogaça Balboni; Maria da Graça Mendes Abreu, irmã de Manoel José Nunes Mendes de Abreu; e Alice Hanssen, irmã de Olavo Hanssen.

Os irmãos dos homenageados receberam os diplomas - Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Um pouco antes da cerimônia de entrega dos diplomas, foi realizada uma exposição e uma roda de conversa, que contou com a participação de dirigentes, familiares, estudantes e politécnicos da mesma geração dos homenageados.

A pró-reitora de Inclusão e Pertencimento, Ana Lanna, ressaltou que “lembrar é essencial. A memória, feita coletivamente e respeitosamente em um ato como este, impede que nós normalizemos coisas que não podem ser normalizadas na nossa sociedade, ela impede que nós desrespeitemos cotidianamente a vida dos nossos colegas, a vida dos cidadãos desse país, a vida de cada um de nós. Lembrar é impedir que o horror se estabeleça e se instale novamente entre nós”.

A diplomação honorífica dos quatro estudantes foi aprovada na reunião da Congregação da Escola Politécnica realizada no dia 27 de junho de 2024.

“Penso que esse ato de diplomação possa simbolizar, 90 anos após a fundação da nossa universidade, a reafirmação dos valores que cultivamos na USP, de nossa missão social e do compromisso institucional sólido que temos com a democracia, com a justiça e com os direitos humanos”, disse o pró-reitor de Graduação, Aluisio Segurado.

Roda de Conversa "Memória Universitária" - Foto: Assessoria de Comunicação da Poli/USP

A cerimônia também contou com a participação do diretor de Direitos Humanos e Políticas de Reparação, Memória e Justiça da PRIP, Renato Cymbalista; do vice-diretor da Poli, Sílvio Ikuyo Nabeta; da presidente da Comissão de Inclusão e Pertencimento da Poli, Anarosa Alves Franco Brandão; do presidente da Comissão de Graduação, Fernando Akira Kurokawa; da assistente acadêmica da Poli, Marcia Costa Pinto Barros; do diretor do Grêmio Politécnico, Diego Roiphe; além de familiares e amigos dos homenageados.

A solenidade foi encerrada com a apresentação musical de Raphael Arcanjo, sobrinho de Luiz Fogaça Balboni.

A seguir, assista ao vídeo produzido pela Assessoria de Comunicação da Poli e conheça um pouco mais sobre os estudantes diplomados por meio de depoimentos de seus familiares:

Diplomação da Resistência

Resultado de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), a Pró-Reitoria de Graduação (PRG), a vereadora paulistana Luna Zarattini e o coletivo de estudantes Vermelhecer, o projeto Diplomação da Resistência é uma forma institucional de reconhecer e reparar as violências, torturas, perseguições, mortes e desaparecimentos ocorridos durante os 21 anos de ditadura. Os homenageados foram selecionados a partir das investigações conduzidas pela Comissão da Verdade da USP, que se dedicou a reconhecer e reparar as injustiças do passado.

Lançado em 15 de dezembro de 2023, o projeto teve como primeiros homenageados os estudantes Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Queiroz, alunos do Instituto de Geociências (IGc) e militantes do movimento estudantil. Em seguida, foram homenageados os estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Faculdade de Medicina (FM), da Escola de Comunicações e Artes (ECA), do Instituto de Psicologia (IP) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU).

Ao todo, 33 estudantes da Universidade que foram vítimas do regime militar serão homenageados pelo projeto Diplomação da Resistência.


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