A sessão foi realizada no dia 18 de março, na sala do Conselho Universitário, em São Paulo – Foto: Adriana Cruz /USP Imagens
O Conselho Universitário aprovou, na sessão realizada no dia 18 de março, a concessão de dois títulos honoríficos da Universidade: o de Doutor Honoris Causa ao professor, arquiteto e pintor Sérgio Ferro Pereira e o de Professor Emérito da USP ao secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e ex-reitor da USP, Vahan Agopyan.
A proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Sérgio Ferro Pereira foi apresentada ao Conselho pelas Congregações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) e do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) e pelo Conselho Deliberativo do Museu de Arte Contemporânea (MAC).
O título de Doutor Honoris Causa é uma honraria concedida a personalidades que tenham contribuído para o progresso das ciências, letras ou artes; e aos que tenham beneficiado de forma excepcional a humanidade, o País, ou prestado relevantes serviços à Universidade. Em seus 91 anos de história, a USP outorgou 124 títulos. O mais recente foi concedido à cantora Marisa Monte, em junho do ano passado.
Na súmula biográfica apresentada ao Conselho, os diretores do IAU, João Marcos de Almeida Lopes; da FAU, João Sette Whitaker Ferreira; e do MAC, José Tavares Correia de Lira, destacaram que a concessão do título de Doutor Honoris Causa a Sérgio Ferro “é um gesto de reparação de enorme importância moral e simbólica para a Universidade, em face das grandes arbitrariedades e violências de que foi vítima. Não somente pelo precioso conjunto de contribuições acadêmicas, intelectuais, artísticas e profissionais de Sérgio Ferro, mas também como uma forma de reparação às graves violações de direitos humanos e civis cometidas contra ele pelo regime de exceção – entre as quais a própria obstrução de sua promissora carreira acadêmica, que tanto teria contribuído para a reputação acadêmica da Universidade. A concessão deste título ao arquiteto ainda em vida reitera o papel da Universidade como espaço de fomento aos valores democráticos e de condenação intransigente de toda forma de perseguição política e ideológica em seu interior”.
Sérgio Ferro – Fotos: alita.mt/ Wikipedia/ CC BY-SA 4.0
Formado arquiteto e urbanista pela FAU em 1961, foi um aluno de Vilanova Artigas e Flávio Motta. No ano seguinte à sua formatura, passou a lecionar História da Arte no Departamento de História da FAU, onde permaneceria até 1970, quando foi preso em função da ditadura. Ainda estudante, ao lado de seu colega de turma Rodrigo Lefèvre, iniciou-se na prática profissional no final dos anos 1950, em meio à efervescência construtiva produzida pelas obras de Brasília e pela explosão metropolitana de São Paulo.
Como docente e pesquisador, Ferro é reconhecido pela agudeza de sua reflexão teórica e crítica, tornando-se referência para uma geração de estudantes, professores, arquitetos e urbanistas.
Em 1972, Ferro viajou para a França, onde foi convidado a se tornar docente na Escola Superior de Arquitetura de Grenoble. Na mesma universidade, fundou o laboratório Dessin/Chantier [Desenho/Canteiro], onde viria a assumir liderança nos processos de renovação do ensino na França. Aposentou-se em 2003 e, desde então, dedica-se à pintura e ao desenvolvimento de sua obra teórico-crítica.
A exposição Sérgio Ferro – Trabalho Livre fica em cartaz no MAC até o dia 15 de junho – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
A Comissão da Verdade da USP, em seu relatório final, documentou, nas cinco páginas dedicadas ao ex-professor da FAU, que Ferro foi interrogado em sala de aula ainda antes da edição do AI-5, em 1968, preso de maneira ilegal pela Operação Bandeirante, em dezembro de 1970, e torturado no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
“No último dia 15 de março, o MAC inaugurou a exposição Sérgio Ferro – Trabalho Livre, com mais de 80 obras do artista e fotografias cedidas pelo Instituto Moreira Salles. A exposição tem curadoria de Fábio Magalhães, Maristela Almeida e Pedro Fiori Arantes e fica em cartaz até o dia 15 de junho.
“Esse título está de acordo com o que a Reitoria tem feito durante esta gestão. A USP tem se posicionado publicamente em defesa do Estado Democrático de Direito e da democracia em diversas oportunidades, e esta homenagem ao professor Sérgio Ferro reconhece esta figura extraordinária, que ajudou a forjar nossa Universidade, e é um símbolo da defesa da liberdade e dos direitos humanos”, ressaltou o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior.
Professor Emérito
Na mesma sessão do Conselho, foi aprovada a concessão do título de Professor Emérito da USP ao secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e ex-reitor da Universidade, Vahan Agopyan. A proposta de concessão foi apresentada pela Congregação da Escola Politécnica (Poli).
O título de Professor Emérito é concedido a professores aposentados que se distinguiram por atividades didáticas e de pesquisa ou que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso da Universidade. Desde a fundação da USP, em 1934, foram outorgados 20 títulos a docentes da instituição.
Filho de pai botânico, pesquisador, de origem armênia, nascido em Istambul, na Turquia, Agopyan se formou engenheiro civil pela Poli na turma de 1973. Suas áreas de interesse profissional, como engenheiro e pesquisador, são as questões das cidades, construção habitacional e de obras civis em geral, voltando-se, principalmente, para o desenvolvimento de materiais inovadores para a construção civil.
Foi contratado como docente da escola em 1975, conjugando a carreira acadêmica com a de pesquisador no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Em 1982 conquistou o título de Ph.D. em Engenharia Civil pelo King’s College de Londres.
Vahan Agopyan – Foto Marcos Santos/USP Imagens
Agopyan foi vice-diretor da Poli, entre 1998 e 2002, e diretor, entre 2002 e 2005, quando estabeleceu os primeiros acordos de Dupla Diplomação com as escolas francesas e outras universidades de renome. Também foi diretor-presidente do IPT entre 2006 e 2008, coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, entre os anos de 2008 e 2009; pró-reitor de Pós-Graduação da USP, na gestão de 2010 a 2013, e vice-reitor da Universidade entre 2014 e 2017.
Seu mandato na Reitoria, de 2018 a 2022, coincidiu com a pandemia da covid-19, quando envidou todos os esforços para manter a Universidade ativa e coesa no período em que foi necessária a suspensão das atividades presenciais na USP. Desde 2023, Agopyan é secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo.
O reitor da USP destacou que “minha relação com o professor Vahan começou quando ele era pró-reitor de Pós-Graduação e, eu, presidente da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Ele é uma pessoa extremamente séria e centrada, um defensor da autonomia da Universidade, com uma postura irreparável. Se analisarmos todas as decisões dele ao longo de sua carreira acadêmica, esse posicionamento se manteve. Durante sua gestão como reitor, enfrentou uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Assembleia Legislativa. Como secretário de Estado, sempre está ao lado das universidades públicas paulistas em defesa da autonomia. Estamos dando o título de Professor Emérito para uma pessoa que sempre defendeu a USP e é um orgulho da nossa Universidade”.

























