Pesquisa nacional quer mapear desafios enfrentados por famílias de pessoas com autismo

Estudo da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto da Criança e do Adolescente investiga percurso do diagnóstico ao acesso às terapias

 Publicado: 05/05/2026 às 10:56

Texto: Redação

Arte: Daniela Gonçalves*

Montagem com uma criança estende a mão à frente do rosto sobre um fundo colorido, com a palma da mão pintada com as cores vermelho, verde, amarelo e azul, e com uma linha de gráfico logo abaixo da mão.

Segundo dados do IBGE, mais de 2,4 milhões de pessoas têm o Transtorno do Espectro Autista no Brasil – Foto: Frrepik e Foto: Freepik

O trabalho é coordenado pela professora Ana Paula Scoleze Ferrer, pediatra e pesquisadora nas áreas de crescimento e desenvolvimento infantil, políticas públicas e atenção primária em pediatria. O objetivo é entender como as famílias vivenciam cada etapa do processo de diagnóstico, desde a suspeita até a busca por terapias. Para contribuir basta ser maior de idade e residir no Brasil. A participação é rápida e anônima, basta responder o questionário: https://linktr.ee/projetotea 

Segundo dados do  IBGE, mais de 2,4 milhões de pessoas têm o Transtorno do Espectro Autista no Brasil. O TEA, como é chamado, é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta em diferentes níveis a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e processa comportamentos e interesses. Ele é chamado de “espectro” porque pode se manifestar de maneiras muito diferentes: algumas pessoas precisam de bastante apoio no dia a dia, enquanto outras têm mais autonomia. Os sinais costumam aparecer na infância, mas, em alguns casos, o diagnóstico só acontece mais tarde. 

“O objetivo principal deste estudo é a gente compreender como tem sido feito feito esse diagnóstico, porque a gente tem dados, inclusive teve um estudo recente, bastante amplo, também de abrangência nacional, se chama mapa do autismo do Brasil, que mostrou que apenas  51% ou 52% dos diagnósticos são feitos precocemente, até os 4 anos de idade. A maior parte dos casos é feito tardiamente,” revelou a especialista. Ela explica a importância de informações corretas para que as pessoas consigam identificar essas características e buscar ajuda médica.

Imagem de uma mulher sentada, enquadrada do busto para cima, em um ambiente fechado e com fundo escuro. Ela tem pele clara, cabelos castanhos lisos, na altura dos ombros, repartidos de lado. Ela usa um vestido sem mangas, de cor escura, com um padrão discreto de linhas onduladas. O fundo permanece quase todo preto, sugerindo um palco ou auditório.

Ana Paula Scoleze Ferrer Foto: Linkedin

Desenvolvimento da pesquisa

Ana Paula destaca a importância de não apenas diagnosticar mais cedo, mas garantir o acesso às terapias especializadas.  O estudo busca mapear as principais dificuldades e barreiras enfrentadas para que esses dados possam contribuir para melhorar o cuidado e orientar políticas públicas.

Observar as necessidades individuais é essencial para entender que tipo de apoio aquela pessoa realmente precisa. Em alguns casos, a prioridade pode ser a comunicação; em outros, a adaptação escolar, o desenvolvimento da autonomia cotidiana, o acompanhamento psicológico, a terapia ocupacional ou a fonoaudiologia. Além disso, essas necessidades não são fixas. Elas podem mudar com o tempo, conforme a criança, o adolescente ou o adulto se desenvolvem e respondem às intervenções. “As terapias têm que ser individualizadas para as necessidades de cada indivíduo. Então, não tem uma única intervenção que sirva para todas as crianças e para todos os pacientes. Esse plano terapêutico que a gente chama de cuidado e de atenção tem que levar em consideração as necessidades do próprio indivíduo”, explicou . 

Além disso, a pesquisa não vai apenas levantar dados objetivos sobre diagnóstico e terapias. Também vai abrir espaço para que os familiares narrem a própria trajetória — como perceberam os primeiros sinais, quais barreiras enfrentaram, como foi o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além dos sentimentos e da sobrecarga envolvidos nesse percurso.

*Estagiária sob orientação de Simone Gomes


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.