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Seminário comemora o centenário de Milton Santos
Entre 4 e 8 de maio, evento na Cidade Universitária vai reunir pesquisadores do Brasil e do exterior para celebrar a vida e a obra de um dos maiores nomes da geografia, nascido na Bahia em 3 de maio de 1926
Seminário comemora o centenário de Milton Santos
Entre 4 e 8 de maio, evento na Cidade Universitária vai reunir pesquisadores do Brasil e do exterior para celebrar a vida e a obra de um dos maiores nomes da geografia, nascido na Bahia em 3 de maio de 1926
O geógrafo Milton Santos em 1994, em frente aos Departamentos de Geografia e de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens
O professor baiano Milton Santos (1926-2001) foi um revolucionário da área da geografia. Ele acreditava que, mais do que uma análise da natureza e dos agentes que atuam sobre ela, a disciplina precisava ser um estudo social sobre a influência do território na convivência humana. No próximo dia 3 de maio o professor comemoraria seu centésimo aniversário. Em homenagem à data, o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP vai realizar, entre os dias 4 e 8 de maio, o seminário Milton Santos 100 Anos – Um Geógrafo do Século XXI. O evento vai reunir pesquisadores do Brasil e do exterior, que abordarão a vida e a obra do professor em conferências, debates e mesas-redondas. A entrada é grátis. Haverá transmissão ao vivo pelo canal do IEB na plataforma YouTube.
O geógrafo francês Jacques Lévy, professor da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, será um dos conferencistas no seminário. O evento terá conferências também do sociólogo Miguel de Barros, de Guiné-Bissau, da geógrafa María Laura Silveira, da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, e da professora Maria Auxiliadora da Silva, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). No dia 6, quarta-feira, às 18 horas, será lançado o livro A Bahia nos Anos 50: Cidade e Região, publicado pela Editora da USP (Edusp), que traz dez textos escritos por Milton Santos ao longo da sua carreira (leia o texto abaixo). Serão feitas ainda visitas guiadas aos acervos do IEB e da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, que guardam arquivos e obras de Milton Santos.
“Nos anos 60, Milton Santos já se dedicava ao estudo dos quadros técnicos na vida humana. Ou seja, quando começaram a enxergar as consequências da revolução digital nos anos 90, ele já pesquisava há muito tempo sobre como todo grupo social, especialmente no mundo moderno, tem sua vida integrada às tecnologias”, afirma o professor Jaime Tadeu Oliva, do IEB, um dos organizadores do seminário. “Essa é uma característica de seus estudos que o mantém atual, tanto que o nome do seminário diz que ele é um geógrafo do século 21, porque o seu pensamento é muito relevante até hoje.”
Além de ter sido um precursor dos estudos sobre a relação entre as tecnologias e a vida humana, Milton Santos também fez pesquisas inovadoras sobre a relação do homem com sua moradia. “Ele dizia que a dinâmica social não existia sem considerar a dinâmica espacial. Foi um dos precursores desse ponto de vista. O espaço não é só um palco onde encenamos o drama social. Ele é parte desse drama, é integrante nas nossas vidas”, afirma o professor do IEB.
O professor Jaime Tadeu Oliva, um dos organizadores do seminário – Foto: IEB-USP
Oliva lembra que o prestígio de Milton Santos ultrapassa sua obra. “Sua postura intelectual de um homem muito íntegro, que não se vendia ao poder, não se rendia aos partidos políticos e fazia questão da liberdade do pensamento, tem grande relação com a repercussão que ele tem até hoje”, destaca o professor. “Ele tinha uma obra incrível e um pensamento inovador, mas não ficava enclausurado. Dava aulas e fazia palestras pelo mundo todo. Esse seu jeito de ser também impulsionou a quantidade de corações e mentes que conquistou”, acrescenta (leia abaixo entrevista exclusiva do professor Jaime Tadeu Oliva ao Jornal da USP).
Debates, mesas-redondas e conferências
A influência de Milton Santos pode ser observada na quantidade de trabalhos produzidos com base nos seus documentos, presentes nos acervos do IEB e da BBM. Por isso, os organizadores decidiram promover visitas guiadas a esses acervos nos dia 5, terça-feira, 6, quarta-feira, e 7, quinta-feira, sempre às 10 horas. Após a morte do professor, em 2001, sua viúva Marie Hélène dos Santos resolveu doar os documentos à USP, que recebeu quase todo o arquivo pessoal e a biblioteca de Milton Santos. “Marie Hélène sempre frisa que escolheu a Universidade por ser um acervo público. Por isso, é nossa obrigação organizá-lo e promover projetos desenvolvidos por meio dele”, ressalta Oliva. Alguns desses projetos, chamados de residências artísticas e pedagógicas, serão apresentados numa roda de conversa, no dia 8, sexta-feira, às 10 horas.
Abertas ao público em geral, a programação do seminário se divide em diferentes categorias. Uma delas são as conferências, apresentadas por pesquisadores que falarão sobre suas pesquisas e experiências que tiveram trabalhando com Milton Santos. A professora Maria Auxiliadora da Silva, da UFBA, que vai se apresentar no dia 6, quarta-feira, às 16 horas, por exemplo, conviveu com o professor por anos, quando ele morava na Bahia. Seu foco de pesquisa em geografia urbana os aproximava. “É alguém que permaneceu muito amiga de Milton Santos e o conhecia desde o início da carreira.”
Outro tipo de atividade são as mesas-redondas. Elas vão trazer profissionais que discutirão aspectos das obras de Milton Santos. Um exemplo é a mesa-redonda prevista para o dia 8, sexta-feira, às 14 horas, intitulada Milton Santos: a Força Emancipadora de um Intelectual Público. Ela vai reunir o artista musical Salloma Salomão e os sociólogos Mário Augusto Medeiros da Silva e Flavia Rios. “Essa mesa merece destaque especial porque nela vai se discutir Milton Santos como um homem negro e um intelectual de grande prestígio, em especial agora. Ele é uma personalidade com muita força simbólica, que só cresce, na intelectualidade negra e na comunidade negra em geral, por ser uma figura emancipadora. Era um dos únicos professores títulares negros na sua época na USP”, destaca Oliva.
Já as rodas de conversa diferem do restante da programação por convidarem o público a participar do debate. No dia 6, quarta-feira, às 14 horas, a roda Territórios, Cidadanias Incompletas e Relações Raciais no Brasil do século XXI vai contar com dois palestrantes que farão a problematização do tema e, em seguida, qualquer pessoa presente poderá compartilhar sua opinião sobre o assunto. “A nossa expectativa é que o público ultrapasse o ambiente acadêmico”, diz Oliva.
Nascido na Bahia, neto de escravizado
Milton Santos nasceu no dia 3 de maio de 1926 na cidade de Brotas de Macaúbas, na região da Chapada Diamantina, na Bahia, a 580 quilômetros da capital do Estado, Salvador. Seu avô por parte de pai tinha sido escravizado. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1948, nunca exerceu a profissão. Era apaixonado pela geografia desde a época do ginásio, quando teve aulas com o geógrafo brasileiro Josué de Castro (1908-1973).
Em 1958, Milton Santos concluiu o doutorado em Geografia na Universidade de Estrasburgo, na França. Além de geógrafo, foi jornalista e escreveu para o jornal A Tarde, de Salvador. Foi trabalhando lá que acompanhou o então candidato à Presidência da República Jânio Quadros em uma visita a Cuba, em 1960. No ano seguinte, já eleito, Jânio o nomeou subchefe da Casa Civil na Bahia.
Depois do golpe militar de 1964, Milton Santos ficou 13 anos no exílio, período em que morou em países como Estados Unidos, Peru e Nigéria, voltando ao Brasil em 1977. Foi em 1984 que ele ingressou na USP como professor titular. Em 1994, conquistou o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, considerado um “Prêmio Nobel” na área da geografia.
Entre os mais de 40 livros publicados por Milton Santos – em português, francês, espanhol e inglês – estão Por uma Geografia Nova (1978), O Espaço Dividido (1979), Espaço e Sociedade (1979), A Urbanização Desigual (1980), Metamorfoses do Espaço Habitado (1988), A Natureza do Espaço (1996) e Por uma Outra Globalização (2000).
O professor recebeu 14 títulos de Doutor Honoris Causa, concedidos por universidades do Brasil e do exterior – entre elas, a Universidade de Toulouse, na França, a Universidade de Barcelona, na Espanha, a Universidade de Buenos Aires, na Argentina, e as Universidades Federais da Bahia (UFBA) e do Rio de Janeiro (UFRJ).
O Seminário Internacional Milton Santos 100 Anos – Um Geógrafo do Século XXI é promovido pelo IEB, em parceria com o Departamento de Geografia da FFLCH e o Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana, também da FFLCH.
O livro traz dez textos do geógrafo
O livro A Bahia nos Anos 1950, de Milton Santos, será lançado no dia 6, quarta-feira, às 18 horas, durante o Seminário Internacional Milton Santos 100 Anos – Um Geógrafo do Século XXI. Com 378 páginas, a obra é o 20º e último volume da Coleção Milton Santos da Editora da USP (Edusp), criada com o objetivo de celebrar o centenário do geógrafo e professor da USP.
A Bahia nos Anos 1950 traz dez textos de Milton Santos sobre o seu Estado natal, que foram publicados separadamente no início da carreira do professor e agora reunidos num só volume. Neles, Milton Santos expõe pesquisas sobre cidades e redes urbanas baianas que, além de descritivas, questionam os problemas sociais vigentes e até tentam solucioná-los. A organização do livro é de Mónica Arroyo e Flavia Grimm.
O texto que abre o livro é O Papel Metropolitano da Cidade do Salvador, que começa definindo o que é uma metrópole e classifica Salvador como uma cidade de especulação comercial, criada pelas populações imigradas durante a época colonial e com atividades do setor primário e terciário – definição herdada do geógrafo francês Pierre George. Em seguida afirma: “Tais metrópoles, refletindo, como as demais, a economia a que servem, trazem, em sua fisionomia e em sua fisiologia, as marcas bem nítidas do mundo rural a que se ligam, mas, via de regra, por serem meras intermediárias do mundo capitalista e dos vorazes interesses das nações imperialistas, em muito pouco podem exercer o papel metropolitano que, por sua massa, em outras condições, seria de esperar”.
Milton Santos continua, explicando como essas grandes cidades de “excessiva centralização de recursos sociais e técnicos” esmagam as menores ao seu redor, que, apesar de criadas para suprir as necessidades rurais, jamais ultrapassariam seu potencial produtivo. Para o professor, esses aspectos fazem de Salvador uma cidade que necessita de redes de transporte dinâmicas e incorporadas a um espaço crescente. Em seguida, aponta problemas específicos à metrópole, como a pobreza das indústrias e um turismo mal desenvolvido.
Outro texto presente na coletânea é Ubaitaba: Estudo de Geográfia Urbana, que foi seu primeiro estudo sobre geografia urbana. Nele, o professor analisa a história, a formação comercial, a geomorfologia e os meios de transporte do município de Ubaiata, uma pequena cidade na região cacaueira da Bahia, banhada pelo Rio das Contas. No texto, Milton Santos explica que a cidade foi escolhida como objeto de estudo porque é considerada uma das mais representativas quando se trata de estrutura social e econômica criada sobre a plantação de cacau – pelo menos no sul da Bahia. “Ubaitaba, a bem dizer, vive exclusivamente como reflexo do cacau, das fazendas do seu e de municípios vizinhos. Cresceu à sombra do cacau. Sua estrutura social, sua vida urbana, seu desenvolvimento, são função exclusiva do cacau, podendo dizer-se que mostrariam outros aspectos se viesse a região tributária a mudar de atividade”, descreve na obra.
A Bahia nos Anos 1950, de Milton Santos, Editora da USP (Edusp), 378 páginas, R$ 60,00
O seminário Milton Santos 100 Anos – Um Geógrafo do Século XXI acontece entre os dias 4 e 8 de maio no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP e na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, situados no Espaço Brasiliana (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. Não é preciso fazer inscrição. As visitas previstas aos acervos do IEB e da BBM estão restritas aos participantes do evento, que para isso precisam fazer inscrição. Haverá transmissão ao vivo pelo canal do IEB na plataforma YouTube. Mais informações estão disponíveis no site do IEB e no Instagram
* Estagiária sob supervisão de Roberto C. G. Castro
** Estagiária sob supervisão de Simone Gomes
“O espaço se insere na dinâmica social”
Leia a seguir entrevista com o professor Jaime Tadeu Oliva, organizador do seminário Milton Santos 100 Anos – Um Geógrafo do Século XXI
Por Silvana Salles
Uma cidade com espaços públicos abertos, democráticos, voltada para os pedestres, terá uma interação social diferente em relação a uma cidade cheia de condomínios e automóveis, segregada. A comparação é do professor Jaime Tadeu Oliva, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, organizador do seminário Milton Santos – Um Geógrafo do Século XXI, reproduzindo ideias do geógrafo Milton Santos, que foi seu professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “O espaço se insere na dinâmica social”, diz ele na entrevista a seguir.
Jornal da USP – Como era ser aluno de Milton Santos?
Jaime Tadeu Oliva – Meu primeiro contato com o professor Milton Santos foi em 1978. Eu tinha ingressado no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, quando esse homem aparece convidado para dar uma palestra e, mesmo sem ser docente, ele mudou todo o cenário da geografia da USP, porque os alunos ficaram muito envolvidos com o que ele trouxe. Perturbados também, porque o que ele fez nessa palestra foi uma crítica violenta em relação à geografia que se fazia no Brasil. Desde então, a minha geração nunca mais deixou de acompanhá-lo. Ele não era uma pessoa acomodada com o sistema universitário e as práticas que se desenvolvem aqui. Era um crítico muito forte da burocracia universitária, do modo como se organizava o tempo dos professores, o tempo dos alunos, do que hoje nós estamos chamando de produtivismo. Tinha essa característica de tratar a universidade como um bem público e ele, como um cidadão e um docente, tinha a obrigação de fazer esse bem ser o mais público e o mais competente possível, e não de tratá-lo como uma corporação a que ele pertence, que tem privilégios, e ficar usufruindo disso. Não. Isso era muito admirável. Os estudantes, na sua juventude, chegam na universidade e só querem questionar. Aí você encontra um sujeito que é o máximo, mas que não é um questionador vazio. Era um sujeito que tinha obra, que estruturava muito bem seus cursos, que era ótimo professor, grande intelectual, mas que corroborava as críticas que nós pensávamos que eram coisa de estudante. Não, não eram. Ele realmente criticava essas estruturas mumificadas da universidade. Também como um desdobramento disso, não era uma figura que se rendia ao poder, à corporação. É claro que ele não queria se dar mal com os colegas, mas não fazia concessões. Não era o famoso homem cordial brasileiro, aquele que se adapta a qualquer situação para ir sobrevivendo, para ir galgando postos.
Como se fazia geografia no Brasil em 1978, quando Milton Santos fez essa crítica?
A geografia estava vivendo nesse período um processo de renovação. A grande diferença é mais ou menos o seguinte: até os anos 1970, era uma disciplina que estudava os fenômenos, as ocorrências diversas no espaço geográfico. Existiam a geografia física, da natureza, e a geografia humana, que descrevia o que acontecia no espaço. O país tal tem atividades industriais, tem atividades agrícolas, lá se planta isso, se planta aquilo. O espaço não era considerado como uma dimensão da vida social. A diferença parece sutil, mas ela é bem marcada. Uma coisa é eu dizer: “Olha, tem uma dinâmica social que vem e deixa suas marcas no espaço”. Essa é a geografia tradicional. A sociologia que se importasse em ver como a sociedade funcionava, a ciência política, a economia. O que Milton Santos e outros pensavam, e o que vingou na geografia, é que esse espaço produzido se inseria na dinâmica social. Por exemplo, se tem uma cidade com espaços públicos abertos, democráticos, uma cidade voltada para os pedestres, uma cidade, digamos, sem segregações, a interação social que vai haver é diferente de uma cidade toda segregada, cheia de condomínios, só automobilizada, que afasta, que diminui intensamente a interação social. Eu posso ter uma cidade mais compacta, que coíbe as segregações com espaços públicos, e uma cidade toda cheia de muros. Um livro clássico sobre a cidade de São Paulo chama-se Cidade de Muros.
Da Teresa Caldeira.
Sim. É evidente que uma cidade de muros contribui para a produção de um tipo de sociedade com muito menos coesão social, com mais preconceito, com menos solidariedade. Então, o que Milton Santos está dizendo, a partir desse exemplo, é que o modo como o espaço está organizado interfere no modo como a sociedade funciona. O espaço deixa de ser um passivo que apenas recebe e registra a dinâmica de aspectos outros de funcionamento da sociedade. O espaço também é a sociedade. Esse é o pulo do gato, digamos. Mas o pensamento dele vai muito mais longe a partir dessa base. Ele mostra o quanto esse espaço é um espaço pleno de objetos técnicos que conversam entre eles. A própria ideia de globalização dele, antes de tudo, é uma integração dos espaços e dos objetos técnicos no espaço, que criam um cenário humano que nunca existiu, de todos envolvidos no mesmo contexto, o contexto global. O que ele está dizendo é que o espaço não pode mais ser encarado apenas como um palco, ele faz parte do drama. Em alguns casos, ele é o próprio drama, é o personagem principal.
O senhor falou dessa dimensão técnica. O que é o objeto técnico, segundo Milton Santos?
Toda a infraestrutura instalada nos espaços são objetos técnicos. O que ele dizia é que os objetos técnicos contemporâneos têm uma característica distinta dos objetos técnicos pré-guerras mundiais. Qual é essa característica? Que todos eles passaram a ter como substância a informação. Esses objetos conversam entre eles, criando integrações e funcionalidade. Veja, ele está dizendo isso no momento em que isso não era tão claro. A dimensão técnica do espaço ser composta de objetos, sempre foi, mas agora são objetos técnicos interligados uns aos outros, criando uma dependência no seu funcionamento. Veja a guerra. Nós temos uma divisão técnica na distribuição da energia no mundo, na distribuição da produção. Esse sistema pode parar todo de uma vez, e ninguém tem autossuficiência, porque é uma coisa interligada conversando e comunicando. Eu posso cortar essa comunicação e acaba tudo. E, se você olhar o espaço contemporâneo, até os sistemas residenciais modernos em grandes condomínios são sistemas técnicos. É uma estrutura toda informatizada. Informatizada não só porque é automático. Informatizada porque funciona à base de informações que recebe de outros sistemas, e também os alimenta. Ele dizia que o espaço geográfico contemporâneo das nossas vidas é um meio técnico, científico, informacional.
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