

Pesquisa publicada em 2025 analisou o que os brasileiros comem e revelou como esses alimentos podem ter consequências positivas ou negativas para a nossa saúde e para o envelhecimento das pessoas, além de tratar do impacto desses alimentos sobre o meio ambiente. Marhya Júlia Silva Leite, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP e autora do estudo, explica a relação entre alimentação e expectativa de vida e como ela foi calculada no estudo.

“Esse cálculo foi feito a partir da adaptação do Índice Nutricional de Saúde para o Brasil. Esse índice estima quantos minutos de vida saudável são ganhos ou perdidos com o consumo frequente de porções de alimentos, combinando o que já está bem consolidado na ciência sobre a associação entre a alimentação, seus benefícios e fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Para isso, utilizamos as estimativas de risco do estudo de Carga Global de Doenças, o maior e mais abrangente esforço para quantificar a perda de saúde em diferentes locais e ao longo do tempo, desenvolvido pela Universidade de Washington em 2019.”
“Nós ajustamos essas estimativas ao perfil de saúde e doença da população brasileira, aplicando os valores do estudo da Carga Global aos dados de consumo alimentar da Pesquisa de Orçamentos Familiares mais recente, de 2017-2018. Cada alimento recebeu uma pontuação que traduz seu impacto positivo ou negativo na saúde, para que pudéssemos fazer comparações entre eles e chegar na questão da expectativa de vida”, explica a pesquisadora.
As relações da alimentação e da saúde
Marhya comenta os principais resultados a respeito das relações entre os hábitos alimentares e a saúde. “Os resultados mostraram que os alimentos típicos da base da alimentação brasileira, como feijão, frutas, verduras, arroz, castanhas e peixes, foram associados a um ganho de expectativa de vida saudável. Por outro lado, os alimentos ultraprocessados, principalmente biscoitos recheados, biscoitos salgados, margarina e as carnes animais foram os que mais reduziram minutos de vida saudável. O estudo também revelou contrastes em relação ao impacto na saúde de cada tipo de alimento, ou seja, alimentos de origem vegetal demonstraram melhores pontuações no Índice Nutricional de Saúde, quando comparados aos alimentos de origem animal, em especial a carne vermelha. De modo geral, quanto maior a ingestão de alimentos in natura e minimamente processados, de origem vegetal, maior o ganho potencial para a saúde.”
Os impactos dos alimentos ao meio ambiente
De acordo com a pesquisadora, a produção de alguns alimentos também pode causar impactos ao meio ambiente. “Os maiores impactos foram observados em alimentos de origem animal, especialmente a carne bovina, devido às emissões de gases de efeito estufa, ao uso da terra e à associação indireta com o desmatamento. Produtos lácteos e peixes também apresentaram altos impactos, principalmente relacionados ao uso da água. Para estimar esses efeitos, nós utilizamos os valores de impacto ambiental apresentados em Relatórios do Fundo Mundial para a Natureza, o WWF, que levaram em consideração os alimentos produzidos internamente e importados pelo Brasil, traduzidos em emissões de gases de efeito estufa, em quilogramas de equivalentes de dióxido de carbono e uso de água em litros”, finaliza Marhya.


























