Na reunião do Conselho Universitário da USP do dia 31 de março de 2026, será discutida a criação de uma Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace). Sendo um ambiente de intensa transformação e debate, o tópico ocupa as conversas entre docentes de toda a Universidade. Opiniões sobre a Gace são bastante diversas, mas há muitos elementos que apontam para uma sintonia entre a iniciativa da recém-empossada reitoria da USP e as expectativas do corpo docente da Universidade. Não há racha na categoria docente da USP. Há, sim, vasto material, pesquisas entre os docentes e moções sobre o tema aprovadas em dezenas de congregações. No âmbito da USP, as congregações são os órgãos deliberativos máximos das unidades (faculdades, institutos e escolas) e são compostas por alunos, servidores docentes e funcionários. Ou seja, são as congregações que refletem o apoio inequívoco da comunidade universitária à necessidade da implementação de políticas de valorização, como a gratificação proposta pela Reitoria da USP. Esse enorme alcance e aprovação das referidas moções só foram possíveis porque o tema vem sendo amplamente discutido há anos, tendo sido também objeto de discussão entre as representações dos docentes e a atual administração em 2025, por ocasião dos debates durante o processo eleitoral.
A proposta de gratificação é ainda fruto de muitos anos de reflexão e de estudos sobre modelos semelhantes em outras universidades brasileiras e no exterior. A USP vem se debruçando sobre o tema por meio de grupos de trabalho criados na administração anterior e por meio de uma crescente mobilização do corpo docente em prol da valorização da carreira. A proposta é uma resposta positiva da atual Reitoria a todo esse trabalho e mobilização.
Em um dos textos, relata-se que iniciativas como a gratificação proposta atingem 89% de aprovação em uma das três categorias de docentes da USP, a dos(as) professores(as) associados(as), a que mais sofreu com as reformas previdenciárias.
Por fim, destaco que a proposta de gratificação e a negociação na data base não são iniciativas concorrentes. A primeira depende das reservas da própria USP, e a segunda, de repasses do Estado. A primeira se alinha ao princípio da autonomia universitária, e a segunda, ao princípio da isonomia universitária. A primeira visa a atividades complementares e estratégicas e a segunda visa à reposição salarial pela inflação e/ou ganho real. Portanto, ressaltamos a importância das duas iniciativas: do modelo de gratificação e das negociações entre o sindicato dos professores e a Reitoria. Estamos aqui para apoiar ambas.
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