
A dificuldade de reconhecer rostos, mesmo de pessoas próximas como familiares, amigos ou colegas de trabalho, é um distúrbio neurológico chamado prosopagnosia, também conhecido como “cegueira facial”. Apesar do nome, a pessoa não é cega. Segundo o neurologista César Castelo Branco Lopes, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, “o problema não está na visão, mas sim na forma como o cérebro processa e reconhece as faces”.

Na prosopagnosia, o cérebro não consegue integrar corretamente as informações visuais do rosto, como olhos, nariz, boca e formato geral, e associá-las a uma identidade. Essa habilidade normalmente é desenvolvida por meio de estruturas cerebrais complexas, responsáveis pelo reconhecimento facial.
“Quando esse processo falha, a pessoa passa a depender de outras pistas para identificar alguém, como a voz, o jeito de falar, a forma de andar, as roupas, acessórios (óculos, brincos, entre outros) e até o contexto em que encontra a pessoa. Por exemplo, pode conseguir reconhecer um colega no ambiente de trabalho, mas não identificá-lo fora desse contexto”, explica o especialista.
Tipos principais
Existem dois tipos principais de prosopagnosia. A forma congênita, ou do desenvolvimento, está presente desde a infância e pode ter relação genética, sendo possível encontrar outros casos na mesma família. Já a forma adquirida surge após algum tipo de lesão cerebral, como AVC, traumatismos, tumores, infecções ou doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Estima-se que cerca de 2% da população tenha prosopagnosia do desenvolvimento. No entanto, muitos casos não são diagnosticados, pois a pessoa pode acreditar apenas que tem dificuldade em reconhecer rostos ou lembrar nomes. Essa condição pode causar impactos sociais importantes, como constrangimento, ansiedade e até isolamento, sendo muitas vezes confundida com timidez ou falta de atenção.
Não existe cura nem tratamento medicamentoso específico para a prosopagnosia. Entretanto, é possível amenizar os efeitos por meio de reabilitação, com o desenvolvimento de estratégias compensatórias. Com treinamento, a pessoa aprende a utilizar pistas alternativas para reconhecer os outros, facilitando sua interação no dia a dia.
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