Plantas que abandonaram a fotossíntese tradicional e roubam nutrientes de outras para sobreviver

Emerson Pansarin explica como essas plantas, tanto as parasitas como as mico-heterotróficas, “roubam” o carbono de outras espécies e atuam na natureza

 27/03/2026 - Publicado há 2 meses     Atualizado: 31/03/2026 às 5:59
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Imagem em primeiro plano de flores de cor branca misturada com rosa, numa das quais uma mosca está pousada
As plantas parasitas podem ser encontradas em ambientes do dia a dia – Foto: Magellan nh/Wikipédia

 

As plantas mico-heterotróficas são encontradas em florestas do mundo todo, elas entrelaçam suas raízes com os fungos que crescem no solo. Enquanto os fungos adquirem carbono de árvores e arbustos, essas plantas roubam parte do carbono dos fungos para não depender da luz solar e da clorofila para realizar a fotossíntese. Emerson Pansarin, professor do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, explica as diferenças entre as plantas comuns e as mico-heterotróficas.

Homem branco de cabelos castanhos em primeiro plano. No fundo da imagem, uma montanha e o céu.
Emerson Ricardo Pansarin – Foto: Arquivo pessoal

“As plantas terrestres são organismos essencialmente sésseis que têm a oportunidade de dispersar seus genes a partir da polinização e expandir seu território a partir da dispersão dos seus frutos e sementes, ou no caso das plantas sem sementes, através da liberação dos seus esporos. Por serem organismos com baixa motilidade em relação à maioria dos animais, por exemplo, as plantas resolveram o problema da obtenção de alimento por serem seres autotróficos, ou seja, produzem a energia através do processo de fotossíntese. Embora a maioria das plantas seja autotrófica, existem grupos inteiros de organismos que perderam a característica de fazer fotossíntese ao longo do processo de evolução. Plantas que não são fotossintetizantes podem ocorrer sob duas formas distintas: plantas parasitas ou como plantas mico-heterotróficas”, comenta o professor.

Plantas parasitas

De acordo com Pansarin, as plantas parasitas podem ser encontradas em ambientes do dia a dia e são classificadas em dois tipos. “Entre as plantas parasitas, existem as plantas hemiparasitas e as plantas holoparasitas; as plantas hemiparasitas são autotróficas, ou seja, são verdes e fotossintetizantes, no entanto, seus haustórios penetram nos feixes vasculares da planta hospedeira, de forma que entre apenas nos vasos nos quais circulam a água e os sais minerais retirados do solo pela planta hospedeira, ou seja, o tecido chamado de xilema. Um exemplo de planta hemiparasita é a erva de passarinho, que nós podemos encontrar facilmente em áreas urbanas e rurais. No caso das plantas holoparasitas, também chamadas de parasitas obrigatórios, os haustórios penetram tanto no xilema quanto nos que circulam o produto da fotossíntese da planta hospedeira, e esse último tecido é chamado de floema. Nesse caso, as plantas geralmente são amareladas ou esbranquiçadas por causa da ausência da clorofila.”

Plantas mico-heterotróficas

O professor explica que, diferentemente das plantas parasitas, as plantas mico-heterotróficas ocorrem em lugares mais específicos. “No caso das plantas mico-heterotróficas, elas geralmente ocorrem em vales úmidos e sombreados, onde penetra pouca luz solar. Enquanto as plantas parasitas podem ser mais facilmente encontradas pelas pessoas, podendo ocorrer em praças e jardins, as plantas mico-heterotróficas geralmente ocorrem em micro-hábitats muito particulares, normalmente associadas a áreas de mata muito preservadas e que sejam ambientes escuros, vivendo em associação com fungos. Apesar de algumas plantas parasitas serem encontradas em ambientes urbanos, algumas delas também ocorrem em ambientes muito particulares, sendo encontradas no interior de florestas preservadas”, finaliza Pansarin.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira


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