“Conferência Nacional das Cidades” traz expectativas de um novo ciclo na política urbana no Brasil

“6ª Conferência Nacional das Cidades” começou nesta terça-feira (24), em Brasília; evento ocorre após mais de uma década de hiato

 25/02/2026 - Publicado há 5 meses
Por
Grnade número de pessoas aglomeradas diante de um palco com personalidades que estão debatendo temas referentes `Converência Nacional das Cidades
Encontro está debatendo propostas que passaram pelas etapas preparatórias da conferência – Foto: Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Começou em Brasília nesta terça-feira (24) a 6ª Conferência Nacional das Cidades, que reúne representantes de governos e de diferentes segmentos da sociedade civil para discutir propostas para as políticas públicas das cidades brasileiras nos próximos anos. São mais de dois mil e seiscentos delegados eleitos nas conferências estaduais.

Eles estão discutindo as propostas de escopo nacional que passaram pelas etapas preparatórias da conferência, realizadas nos estados e municípios. Segundo a organização do evento, há cerca de 3 mil pessoas inscritas para participar da conferência, que vai até sexta-feira. A ideia é que as propostas aprovadas ao longo da conferência constituam a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).

Mulher morena, com cabelos lisos abaixo dos ombros trajando uma roupa amarela
Marília Gabriela Bello – Foto: Lnkedin

A pesquisadora Marília Bello, integrante do Observatório das Metrópoles e doutoranda da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, explica que a Conferência Nacional das Cidades é “um espaço de participação e deliberação onde os delegados de todo o País se reúnem para discutir os rumos da política urbana”. Nesta edição, os principais temas devem ser habitação, regularização fundiária, saneamento, adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento de um sistema nacional de desenvolvimento urbano.

“Um ponto importante nessa conferência é a presença de muitos novos delegados, que é o resultado da retomada do ciclo participativo e que também amplia as perspectivas territoriais com novas perspectivas para o debate, o que só tende a enriquecer a conferência”, diz Marília.

Retomada depois de uma década

A retomada da Conferência Nacional das Cidades acontece após mais de dez anos sem a realização desse encontro. O último aconteceu em 2013. Posteriormente, o ciclo de conferências foi interrompido pelo governo de Michel Temer, e o Ministério das Cidades e o Conselho das Cidades, órgãos promotores das

+ Mais

Materiais de uma atividade participativa. Uma folha de papel ao centro traz a pergunta 'Qual o seu sonho para sua comunidade?', escrita à mão com caneta cor de laranja.

Retomada da “Conferência das Cidades” expõe limites da democracia participativa

Fotomontagem que representa uma cidade sustentável

Cidades saudáveis e sustentáveis: Como o planejamento urbano aprimora a vida das pessoas

conferências, foram extintos por Jair Bolsonaro. A retomada no governo Lula era uma demanda de movimentos populares, acadêmicos e profissionais que trabalham com o tema da construção das cidades.

Uma novidade que vem sendo apontada pelos palestrantes durante as plenárias da conferência é a centralidade da emergência climática. Para o professor Maurício Lamano, que leciona Ecologia Urbana na Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, a expectativa é que o evento também seja um espaço de reconstrução do pacto federativo em torno do desenvolvimento urbano sustentável.

“Eu entendo que é necessário avançar em diretrizes concretas para a PND, trazendo a ciência para o centro do debate. Principalmente no que tange os assuntos de redução de desigualdades socioambientais, que tem sido o ‘calcanhar de Aquiles’ da gestão pública”, diz o docente. “Os mais pobres são aqueles que vivem em territórios mais quentes, menos verdes, menos qualificados”, completa.

Ouça o boletim veiculado na Rádio USP:

Logo da Rádio USP

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.