
Se os grandes pensadores das relações internacionais estiverem certos em suas análises, há uma virada na chave histórica que aponta para a tentativa de uma superpotência, os EUA, então hegemônica, de manter desesperadamente seus interesses econômicos e estratégicos utilizando-se para tanto do recurso à força nas suas chamadas zonas de influência, em contraponto à outra potência que cresceu economicamente, a China, mas que ainda não rivaliza militarmente nesses mesmos espaços e talvez o faça em Taiwan, que ela considera também sua área de interesse estratégico.
Outra grande potência, essa não mais uma superpotência econômica, a Rússia, apesar de ter poderio militar, principalmente atômico, quer e precisa se manter como ator importante nas relações internacionais, garantindo sua zona de interesse estratégico nos países que eram ex-satélites soviéticos e materializando esse domínio na Ucrânia, através de uma guerra que já dura três longos anos e ceifou centenas de milhares de vidas. Isso projeta medo na Europa, que cada vez mais percebe o guarda-chuva da Otan furado, não tendo os EUA como seu principal fiador, dá sinais de enfraquecimento e talvez não possa garantir proteção efetiva em caso de guerra.
O risco de um confronto permanente dessas potências tem seu início no assalto recente ao território venezuelano e na captura do seu presidente pelos EUA, mas também no declarado interesse em derrubar o regime cubano, no intento de tomar a Groenlândia, território autônomo desde 1979, mas que continua sendo parte do Reino da Dinamarca, e, principalmente, na declaração dada logo após a incursão na Venezuela, de intervir na Colômbia, para prender seu presidente, democrática e legitimamente eleito, e no México, com o aludido interesse de “combater” os cartéis de narcotraficantes. Essas ações norte-americanas podem levar ao caos e ao que se viu antes do início da primeira Grande Guerra, onde as potências imperialistas da época dividiam seus protetorados em zonas de interesse e as nações eram subjugadas, como se fossem parte de um butim a ser conquistado.
O rearranjo das forças de direita e de extrema direita, que estão sendo eleitas nos países latino-americanos e que farão parte, juntamente com o governo norte-americano, do chamado cordão de isolamento contra os interesses da China e da Rússia, só pode ser brecado de certa forma pelo Brasil; no entanto, as fichas serão todas jogadas nas eleições deste ano e, se o cálculo estiver correto, esse cordão de isolamento só se completa com a eleição de um títere por aqui.
Não tenhamos dúvidas, o mundo caminha a passos largos para um cenário de confronto permanente entre essas potências e os sinais estão dados, infelizmente, dessa vez, os países da América Latina e do Caribe estão na geografia da guerra.
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