
O jornal The Guardian lançou recentemente uma ferramenta para proteger fontes jornalísticas e é sobre isso que o professor Carlos Eduardo Lins da Silva fala nesta coluna, inicialmente lembrando o caso Watergate, no qual repórteres do The Washington Post agiam com o maior sigilo e o máximo cuidado para proteger sua fonte anônima. “Então, o que o jornal The Guardian e a Universidade de Cambridge fizeram é muito importante para proteger as fontes”, afirma o colunista. “Na verdade, o que a Universidade de Cambridge e o The Guardian fizeram foi conceber um modelo dentro do aplicativo do The Guardian, que permite que as mensagens que são mandadas com informações sigilosas se confundam com todas as outras mensagens que os leitores do The Guardian mandam para o jornal e trocam com os jornalistas.” Graças a essa manobra, acrescenta Lins da Silva, os vazamentos de informação tornam-se indistinguíveis em relação ao tráfego regular de informações entre leitores e o jornal. “A pessoa que quiser descobrir onde está o vazamento que a fonte sigilosa passou para o jornalista, simplesmente não consegue fazer isso. E isso é muito importante, porque nós sabemos como as informações sigilosas são fundamentais para o exercício do bom jornalismo.”
Independentemente desses avanços, contudo, a mídia tradicional continua enfrentando dificuldades, tanto que uma pesquisa conduzida pela WPP, maior empresa de publicidade de comunicação no mundo, revela que, pela primeira vez este ano, a receita publicitária oriunda de plataformas de redes sociais, como YouTube e TikTok, irá ultrapassar a receita conjunta de todos os veículos de comunicação tradicionais – e com uma concentração de recursos impressionante. Cinco companhias reúnem 54% de todas as receitas publicitárias de comunicação no mundo: Google, Meta, TikTok, Amazon e a chinesa Alibaba, “o que mostra uma concentração de poder enorme e, ao mesmo tempo, isso mostra como os geradores de conteúdo para as redes sociais estão conseguindo tornar o negócio muito multifacetado, muito pulverizado, o que também é negativo para a sociedade, porque, embora eles muitas vezes usem os meios de comunicação profissionais como sua matéria-prima das informações que produzem, fazem dessas informações o que eles querem”. Isso acaba criando nichos em que as pessoas não têm a oportunidade de ver o outro lado das informações, a não ser o seu próprio, tornando-se, desse modo, “reforçadores das suas crenças ideológicas e políticas, o que faz muito mal para a sociedade”.
Horizontes do Jornalismo
Com o Prof. Carlos Eduardo Lins da Silva
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9), com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

























