
As Solfas de Mogi das Cruzes – as mais antigas músicas preservadas no Brasil – serão ouvidas no Concerto Coral-Sinfônico, que será realizado nesta quarta-feira, dia 4, às 14 horas, no Museu do Ipiranga da USP, durante a 3ª Jornada de Estudos São Paulo Colonial em Perspectiva. Datadas da década de 1730, as solfas serão interpretadas pela USP Filarmônica, orquestra ligada ao Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, sob regência do maestro Rubens Russomano Ricciardi, acompanhada pelo Coro Acadêmico e pelo Coro Juvenil da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob direção do maestro Marcos Thadeu. O concerto inclui ainda outras composições do período colonial brasileiro e obras de compositores do Brics, bloco econômico criado em 2006, formado pelo Brasil e por outros nove países.
A antífona Rainha do Céu, a Ladainha Lauretana da Beata Virgem Maria e a cantiga popular Matais de Incêndios são as solfas que a USP Filarmônica vai apresentar no concerto. Obras de Manuel Dias de Oliveira (1734-1813) e do padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) – o maior compositor do período colonial brasileiro e dos primeiros anos do Império – também serão exibidas, além de composições anônimas criadas na capital paulista no início do século 19. Entre os compositores do Brics que serão destacados estão os russos Dmítri Chostakóvitch (1906-1975) e Vassili Soloviov-Sedoi (1907-1975) e os brasileiros Gilberto Mendes (1922-2016) e Clóvis Pereira dos Santos (1932-2024).

“Das Solfas de Mogi das Cruzes, num total de 11 obras, uma é portuguesa e de autor conhecido. Das demais, todas anônimas, só restam cópias em Mogi das Cruzes”, explica o maestro titular da USP Filarmônica e professor da FFCLRP Rubens Russomano Ricciardi. “Fora a cantiga popular Matais de Incêndios, em vernáculo, as demais são sacras e cantadas em latim. É provável que tenhamos obras compostas no Brasil entre as solfas. Mas não é impossível que haja ainda aqui cópias do repertório carmelita de Lisboa – o qual se perdeu por lá no terremoto de 1755.”
O concerto é uma realização do Museu Paulista, da FFCLRP, da Fundação Osesp, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O Concerto Coral-Sinfônico será realizado nesta quarta-feira, dia 4, às 14 horas, no Museu do Ipiranga da USP (Parque da Independência, s/n, no Ipiranga, zona sul de São Paulo). Entrada grátis.

























