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O Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, possui um amplo acervo de charges e caricaturas que tem sido divulgado para o conhecimento do público em suas redes sociais. Além de tipologias documentais e de objetos tridimensionais que ajudam a compreender as transformações históricas pelas quais passaram as artes de curar e as práticas médicas e de saúde entre os séculos 14 e 21, há também essa grande variedade de representações visuais, que foram publicadas em jornais estudantis, como O Bisturi, e em periódicos médicos e científicos editados na primeira metade do século 20. Nessas obras são retratados, de maneira bem-humorada, os professores, alunos e funcionários, além dos departamentos da Faculdade de Medicina.
“As charges e caricaturas são ricos documentos históricos, que funcionam como uma espécie de termômetro da opinião pública expressa por meio de desenhos satíricos e irônicos”, destacam na divulgação. Os trabalhos apresentados pelo museu também são registros sobre o ensino e as práticas dos médicos no período, delineando suas especialidades médicas e seus campos de atuação cada vez mais tecnológicos. É possível flagrar em suas caricaturas as ações praticadas por esses médicos especialistas.
O acervo é formado por desenhos de artistas como Benedito Bastos Barreto, mais conhecido como Belmonte, um dos maiores caricaturistas brasileiros, que viveu entre 1896 e 1947. Ele se notabilizou por seu humor refinado e, sobretudo, por ironizar as ações do então presidente Getúlio Vargas, sendo alvo de censura pelo Estado Novo. Antes disso, porém, Belmonte foi aluno da Faculdade de Medicina por um ano, em 1928, e, durante essa sua breve passagem pela instituição, retratou, sob a encomenda da empresa farmacêutica Phospho-Calcina Iodada, diversos professores como Nicolau Moraes de Barros, Benedicto Montenegro, Ovídio Pires de Campos e João Cândido Ferreira.

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Dentre as charges presentes no acervo, há também uma série de trabalhos produzidos pelo artista belga Maurice Broermann, que retratou docentes da Faculdade de Medicina e seus respectivos departamentos. Em sua passagem pela instituição Maurice publicou vários trabalhos nas páginas do jornal estudantil O Bisturi e elaborou encartes que figuraram em diversas revistas médicas paulistas editadas na década de 1930.
Em seus traços, há a presença marcante de uma fina ironia sobre os procedimentos terapêuticos e os modelos de assistência médica praticados naquele período. Numa obra de 1932 (acima, em destaque no texto), Boerman prestou uma particular homenagem às “alquimias” realizadas pelos professores e pesquisadores que atuavam no laboratório de química da Faculdade de Medicina.

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Estudos do patrimônio cultural
Criado em 1977 como Museu Histórico da Faculdade de Medicina, a instituição passou a se chamar Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz – FMUSP em 1993, em homenagem a seu fundador, que foi um reconhecido médico e pesquisador da área de microbiologia e micologia médica, falecido em 2002 aos 86 anos de idade. O projeto museológico instituído se deu em bases privadas, com apoio da elite médica paulista e de parte significativa dos professores e alunos da própria Faculdade. A partir de então, foram reunidos materiais sobre a História da Medicina, ou seja, uma narrativa pautada no ordenamento de marcos cronológicos da história política, além, dos chamados vultos da medicina e da saúde pública.

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Uma das prioridades do museu, atualmente, volta-se para a sua interação com o público, quer seja ele de pesquisa, ensino ou de visitação. Segundo o site, busca-se ampliar os estudos do patrimônio cultural existente, no sentido de ser cada vez menos instrucionista e cada vez mais educativo. Para isso, uma série de atividades foi contemplada, trazendo em cada uma dessas atividades novas configurações capazes de suprir os objetivos do museu enquanto uma instituição pública e de ensino. Isso porque a cultura material resgatada deve vincular-se não só à capacidade de desenvolvimento de conhecimentos, mas também de crítica e “reinvenção” do próprio passado.

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Seu rico acervo é formado por pinturas e gravuras, livros e periódicos, documento textuais, diplomas, fotografias, filmes, condecorações e premiações, vestuários, bustos, esculturas, mobiliário e, finalmente, uma série de aparelhos usados no exercício médico entre os séculos 19 e 20. Tais conjuntos passam por um constante processo de identificação, organização, catalogação e conservação para que possam subsidiar as exposições temáticas e as pesquisas desenvolvidas por aqueles que procuram a instituição.
Acompanhe as atividades do museu no site, no Instagram e no Facebook.
Museu Histórico Professor Carlos da Silva Lacaz, da Faculdade de Medicina da USP
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas
Endereço: Av. Dr. Arnaldo, 455, 4º andar, Cerqueira César, São Paulo (em frente ao Metrô Clínicas, Linha 2-Verde)
Gratuito e aberto ao público em geral; o agendamento prévio só é necessário para grupos
Mais informações pelo telefone (11) 3061-7249 ou pelo e-mail: museu.historico@fm.usp.br
























