Prática aliada à teoria: como é o ensino lúdico e criativo?

Metodologias ativas desenvolvem o senso coletivo e o conhecimento, afirma Fraulein Vidigal de Paula

 04/06/2025 - Publicado há 1 ano
Por
Imagem de quatro crianças em sala de aula acompanhadas por uma professora
As metodologias ativas de aprendizagem são uma corrente da técnica pedagógica que se baseia no desenvolvimento das habilidades- Foto: Freepik
Logo da Rádio USP

A aprendizagem “mão na massa”, também conhecida como aprendizagem criativa, é uma metodologia ativa que consiste em construir o saber na prática. No processo, o contexto, as habilidades e diferenças dos envolvidos são trabalhados juntamente com a teoria. Atividades como a criação de jogos, recortes, receitas culinárias para o aprendizado de unidades de medida e até fotografias caracterizam-se como exemplos dessa vertente da educação. 

Metodologias ativas

As metodologias ativas de aprendizagem são uma corrente da técnica pedagógica que se baseia no desenvolvimento das habilidades, e menos na transmissão tradicional do conhecimento. Autores como o estadunidense John Dewey, o brasileiro Paulo Freire — referência na educação do País — e o suíço Jean Piaget são nomes que ajudaram na construção desse modelo, ainda que não usassem o conceito em seus estudos. 

O modo de ensinar mais tradicional se baseia na construção de uma hierarquia, na qual o educador é o centro do aprendizado e aquele que detém a sabedoria. Os alunos, por sua vez, seriam receptores das informações, dadas em aulas expositivas – de forma verbal —, e teriam o dever de memorizar o que foi passado. As diferenças individuais não são consideradas e busca-se o padrão. Segundo Paulo Freire, essa vertente é chamada de educação bancária.

Mulher branca, meia idade, cabelos compridos, trajando blusa de cor escura e sorrindo para a câmera
Fraulein Vidigal de Paula – Foto: Sites USP

O avanço da tecnologia e o aparecimento de novas dinâmicas sociais e necessidades, como a sustentabilidade e a inclusão, abriram caminho para outro estilo de educar, com o desenvolvimento de outras atividades. Fraulein Vidigal de Paula, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), defende o deslocamento do estudante para o papel de protagonista: “Esse aspecto facilita o processo de aprendizagem, quando você parte também do princípio de que o propósito da educação não é só favorecer a aquisição de alguns conhecimentos prévios, armazenados pela cultura, mas também transformar e empoderar”.

Nas metodologias ativas, os educandos são incentivados a ter consciência de que estão em um processo de troca de informações e construção do entendimento sobre o mundo. “Elas vão levar em conta esse indivíduo, não só como alguém que possui um cérebro, um conjunto de olhos e ouvidos e mãos para registrar. A intenção é mobilizar esse organismo por inteiro.” Entretanto, Fraulein destaca que o objetivo não é deixar os alunos resolverem tudo sozinhos, mas fornecer uma base teórica que cultive as ideias.

Todos no processo 

Para a professora, a aprendizagem “mão na massa” desafia o aprendiz a pensar as propostas de outras maneiras, o que o torna ativo na aprendizagem: “Ele tem que fazer algo, realizar uma atividade que consiste em resolver um problema já pré-moldado, uma situação pensada, problemas abertos em que se vai sair da sala de aula”. O termo foi proposto por Mitchel Resnick, cientista de computação e professor da cátedra Lego Papert de Pesquisa de Aprendizagem no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Seymour Papert, Jean Piaget, Paulo Freire e Maria Montessori o inspiram nessa linha de pesquisa, que entende que o corpo teórico (a educação) está em constante mudança.

O estilo possui quatro fundamentos: projetos (as atividades desenvolvidas), paixão (a criação de conexões positivas entre o aluno e o conteúdo), pares (estímulo ao trabalho em grupo, comunicação, escuta e expressão) e pensar brincando (experimentação lúdica). 

Fraulein entende que a imprevisibilidade nas relações sociais é um benefício para o aperfeiçoamento de habilidades socioemocionais. “Digamos que o conjunto das mais variadas emoções pode vir à tona e ser mobilizado ali. Elas (as emoções) vão também exigir que as pessoas envolvidas se conheçam melhor, lidem com alguém que tem dificuldades e o outro que tem mais habilidades e também negociar o processo”, explica. 

Segundo ela, é essencial que o educador tenha contato com a aprendizagem “mão na massa” desde a sua formação, como a oferta de recursos para o trabalho: “Se tem o ensino para alguém das metodologias ativas, o processo de formação dele deve passar pelo uso dessas mesmas estratégias formativas. Também há ali um adulto em processo de aprendizagem”. As práticas podem ser feitas durante a graduação, por meio de cursos ou pela formação continuada — atualização e melhoramento dos conhecimentos docentes, por exemplo.

+ Mais

Imagem de uma menina em uma sala de aula de tecnologia, olhando para a câmera enquanto segura um caderno. No fundo, outras crianças estão usando computadores. A tela do computador da menina mostra um exercício de matemática.

Gamificação em sala de aula surge como ferramenta de motivação nas escolas

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 12h40, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.